Um dia após proferir palavrões depois de anunciar o encerramento da sessão da Câmara Municipal de Vitória, o presidente da Casa, Anderson Goggi (Republicanos), comentou a situação no plenário.
“Eu fiz um desabafo. Xinguei. Não tenho vergonha em falar que eu xinguei quando a sessão terminou. Xinguei como um cidadão revoltado com o que aconteceu", explicou o vereador sobre a fala captada pelo sistema de som.
O motivo da revolta de Goggi, disse ele, foi o esvaziamento da sessão em “um dos dias mais importantes para o município de Vitória”. Os vereadores votariam a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) na sessão de terça-feira (21), que terminou com o presidente esbravejando: “Eu quero é que se ****! Vai todo mundo tomar no ** e que meu *** cresça!”.
A falta de quórum, segundo a coluna Vitor Vogas, foi uma forma de protesto dos vereadores contra o pedido da Prefeitura de Vitória para que Goggi enviasse à Corregedoria da Câmara um requerimento de instauração de processo disciplinar contra o vereador Professor Jocelino (PT), a fim de que ele tivesse o mandato cassado ou, no mínimo, suspenso por 30 dias.
Diante do esvaziamento, o presidente precisou encerrar a sessão, adiando a votação dos projetos incluídos na pauta. “Aquilo ali realmente foi um momento de indignação como cidadão que quer ver o seu município prosperar”, disse Goggi sobre a postura.
Além de se explicar, o presidente pediu desculpas aos servidores da Câmara, mas disse não se arrepender de ter proferido os palavrões.
“Foi como cidadão indignado com o que aconteceu. Não tenho dificuldade nenhuma em falar isso aqui em público e, principalmente, pedir desculpa às nossas servidoras, aos nossos servidores e às pessoas que, porventura, não gostaram”, declarou o presidente da Casa Legislativa.
Mesmo “indignado” com o ocorrido, o presidente afirmou que está “solidário ao vereador Professor Jocelino” e que vai arquivar o pedido da gestão municipal, como mostrou a coluna Letícia Gonçalves.
“Meu posicionamento é pelo arquivamento da denúncia do Executivo (...) Sairei em defesa do Professor Jocelino, não sou omisso”, declarou Goggi.
Para o parlamentar, a prefeitura “se excedeu” e a questão deve ser resolvida com o vereador na esfera judiciária. “Aí, depois, se houver uma condenação, se houver alguma coisa, provocar esse parlamento", disse ele.
O pedido da Prefeitura de Vitória
Como mostrou a coluna Vitor Vogas, a gestão da prefeita Cris Samorini (PP) pediu a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar em face do vereador Professor Jocelino por conta de um post e um pronunciamento feitos pelo parlamentar relacionados a uma operação, deflagrada no último dia 8, para apurar indícios de um suposto esquema voltado à prática de fraudes a licitações e lavagem de dinheiro por meio da execução de contratos públicos.
No texto da publicação, o vereador afirmou que, “de acordo com as investigações, empresas ligadas ao esquema mantiveram contratos com diversos municípios capixabas, incluindo a Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Educação”.
Diante disso, a prefeitura entendeu e alegou que o petista abusou de suas prerrogativas parlamentares ao fazer tais afirmações, vinculando a administração da Capital ao esquema investigado.