A travessia de mais de um século dialoga diretamente com a própria transformação do Espírito Santo. Em 1890, um ano antes da instalação do Tribunal, o Estado possuía apenas 135.997 habitantes, segundo os primeiros censos realizados no país. Hoje, são cerca de 4 milhões de pessoas vivendo em território capixaba.
Poucas instituições sentiram de forma tão intensa os reflexos desse desenvolvimento quanto o Poder Judiciário. Em cada fase do crescimento do Espírito Santo, coube ao Tribunal de Justiça acompanhar as mudanças da sociedade, oferecendo estabilidade, previsibilidade e a garantia de que a lei seria aplicada com equilíbrio, imparcialidade e respeito aos direitos fundamentais.
Não é possível imaginar uma sociedade organizada sem uma Justiça forte, independente e acessível. Em um ambiente de constantes transformações, cabe ao Poder Judiciário assegurar direitos, conter abusos, equilibrar relações sociais e oferecer segurança jurídica às pessoas, às empresas e às instituições públicas. Mais do que um serviço essencial, trata-se de um dos pilares que sustentam a convivência democrática.
Ao longo desses 135 anos, o TJES esteve presente nos momentos mais significativos da história capixaba. Acompanhou a expansão dos municípios, o crescimento econômico, as mudanças políticas, a modernização das relações de trabalho, o avanço das tecnologias e a ampliação do acesso à cidadania.
Em cada uma dessas etapas, magistradas, magistrados, servidoras e servidores contribuíram para que a instituição permanecesse como referência de estabilidade, segurança jurídica e confiança pública.
Tive a oportunidade de testemunhar esse compromisso de perto, especialmente em um dos momentos mais importantes da reconstrução ética e institucional do Espírito Santo, quando presidi a Associação dos Magistrados do Espírito Santo, entre 2002 e 2004.
Naquele período, ficou evidente que o fortalecimento das instituições era condição indispensável para restaurar a confiança da sociedade e consolidar um ambiente de respeito à legalidade e à democracia.
A força dessa trajetória está justamente na capacidade de evoluir sem renunciar aos seus valores fundamentais. Mudaram as demandas, os instrumentos de trabalho e os desafios impostos pelo tempo.
Permaneceram, contudo, os compromissos com a imparcialidade, a defesa da Constituição, a garantia dos direitos fundamentais e o acesso à Justiça.
Nas últimas décadas, essa capacidade de adaptação tornou-se ainda mais evidente. A transformação digital, a ampliação dos serviços eletrônicos, o investimento em inovação, o uso responsável da inteligência artificial e o aperfeiçoamento permanente da gestão judicial demonstram que tradição e modernidade caminham lado a lado, sempre com foco na melhoria da prestação jurisdicional e na entrega de um serviço cada vez mais eficiente ao cidadão.
A credibilidade da instituição não foi construída por discursos, mas pelo trabalho diário e permanente de gerações de desembargadoras, desembargadores, juízas, juízes, servidoras e servidores que compreenderam que a missão do Judiciário está acima de interesses circunstanciais. A razão de existir deste Poder sempre foi e continuará sendo a sociedade.
Celebrar os 135 anos do Tribunal de Justiça do Espírito Santo é reconhecer uma história construída ao lado do povo capixaba. É homenagear aqueles que contribuíram para consolidar uma instituição respeitada e reafirmar o compromisso de continuar evoluindo para atender às demandas do presente e do futuro.
Afinal, a história do TJES se confunde com a própria história do desenvolvimento do Espírito Santo e com a busca permanente por uma sociedade mais justa, equilibrada, democrática e comprometida com a cidadania.