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Julgamento

Viúva de músico chora em júri e diz que ex-PM a impediu de socorrer marido

Músico foi assassinado em prédio de Jardim Camburi, em Vitória, em 2023; ex-PM é julgado pelo crime

Publicado em 20 de Maio de 2026 às 12:30

Vilmara Fernandes

Publicado em 

20 mai 2026 às 12:30
O casal Guilherme Rocha e Janaina Moraes
O casal Guilherme Rocha e Janaina Moraes Arquivo | Redes sociais

Muito emocionada, chorando em vários momentos, Janaina Iara Moraes, esposa do músico Guilherme José Rocha Soares foi a primeira a prestar seu testemunho na manhã desta quarta-feira (20) no Tribunal do Júri de Vitória.


Está sendo julgado o ex-PM Lucas Torrezani, acusado pelo assassinato do músico, crime ocorrido em 17 de abril de 2023, no hall do prédio onde vítima e réu moravam.


Ela relatou aos jurados que  presenciou a confusão, viu o momento em que o ex-militar sacou a arma e ouviu o tiro. Tudo foi acompanhado por uma janela da área de serviço que permitia uma visão do hall do prédio. O apartamento do casal era no térreo.

Ouvi o disparo e o vi caído no chão. Chamei por ele e pedi: 'Amor, olha para mim', mas ele não respondeu. Queria socorrê-lo, mas o assassino não permitiu

Janaina Iara Moraes | Esposa do músico

A mulher relatou que que quis socorrer o marido, mas foi impedida por Lucas. “Ele apontou a arma e me impediu. Fiquei com medo diante da arma. Depois, ele fechou a porta e a chutou”. A filha de Janaína, uma adolescente que era enteada do músico, foi quem tirou a mãe do local, falando que o ex-PM poderia matá-las.


Ao responder ao promotor, Janina disse que o casal tinha plano de se casar no segundo semestre daquele ano. Afirmou que agora espera por justiça. "Nada vai trazer o Guilherme de volta, mas espero que o assassino seja condenado. Destruiu a minha família. Hoje todos sofrem”, desabafou.

O casal morava havia pouco mais de três meses no apartamento que tinham reformado. Após o crime, a mulher contou que não conseguiu voltar para o imóvel, que faz tratamento psicológico e usa medicamentos devido a tudo que passou e que a filha dela está traumatizada.


"Ela e o Guilherme eram bem próximos. Hoje ela tem medo de policiais e chegou a entrar em pânico na escola em uma apresentação. Ela me envia mensagens sempre perguntando se vou voltar para casa", relata ao se referir ao medo que a adolescente tem de perder a mãe.


Lucas Torrezani foi trazido ao plenário por equipes da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). Ele acompanhou o depoimento da mulher com a cabeça baixa na maior parte do tempo.


O júri foi suspenso às 11h45 para o intervalo do almoço.

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