"A liberdade é uma luta constante". A frase da ativista política Angela Davis escrita em um banco vermelho instalado em frente à sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, convida quem passa por lá a sentar e refletir. Mas também a levantar e agir, em uma campanha de combate à violência contra a mulher.
O banco vermelho é símbolo da ação mundial de combate ao feminicídio e a todas as formas de violência de gênero. Instituído no Brasil pela Lei Federal 14.942/2024, o projeto prevê ações de conscientização em espaços públicos, como escolas, universidades, terminais de ônibus, aeroportos e outros locais de grande circulação.
Dados da violência contra a mulher
A necessidade de ações de conscientização são fundamentadas em números que comprovam os índices de violência contra a mulher.
Os dados divulgados pelo Instituto Banco Vermelho revelam que o Brasil é o 5º país que mais assassina mulheres, dentro de uma lista com 196 nações. Uma mulher é morta a cada seis horas no território brasileiro, enquanto, a cada seis minutos, uma mulher é estuprada. Homens representam 90% dos autores desses crimes.
No Espírito Santo, 35 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, segundo dados do Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Dessas crimes, 32 foram cometidos por companheiros, maridos, namorados ou ex-companheiros.
Um levantamento de 2024 do Instituto DataSenado com mulheres capixabas apontou que 29% das entrevistadas já sofreram violência familiar ou doméstica e 69% afirmaram conhecer alguma mulher que passou por essa situação. Entre as que relataram essa ocorrência, 27% disseram ter sofrido violência sexual; 79%, violência física; e 86% afirmaram conviver com o agressor.