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Entenda

O fim das ondas de calor? Novo remédio não hormonal para menopausa é aprovado

Nova opção contra ondas de calor exige prescrição e acompanhamento individualizado

Publicado em 22 de Junho de 2026 às 17:59

Guilherme Sillva

Publicado em 

22 jun 2026 às 17:59
Mulher com calor na menopausa
Mulher com calor na menopausa shutterstock

Em todo o Brasil mulheres relatam noites interrompidas, calor repentino, suor intenso e a sensação de perder o controle do próprio corpo durante o climatério. Entre promessas naturais, fórmulas manipuladas e conselhos sem base, cresce a busca por alívio rápido. 


Para amenizar os sintomas das mulheres na menopausa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o fezolinetanto, uma terapia não hormonal para o tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos (SVM) associados à menopausa. Com o nome comercial de Veoza, da Astellas Farma, a aprovação é baseada nos resultados do programa Bright Sky, que incluiu três ensaios clínicos de Fase 3 que inscreveram coletivamente mais de 3.000 indivíduos na Europa, EUA e Canadá.


Os sintomas vasomotores, também conhecidos como ondas de calor e suores noturnos, são comuns nessa fase da vida. Antes da menopausa, há um equilíbrio entre os estrogênios (hormônios produzidos pelos ovários da mulher) e a neurocinina B (NKB), uma substância química do cérebro. Essa estabilidade regula o centro de controle de temperatura do corpo localizado em uma área específica do cérebro. À medida que o corpo passa pela menopausa, os estrogênios diminuem e esse equilíbrio é interrompido. Essa desarmonia pode levar às ondas de calor e aos suores noturnos.


Além da perda de qualidade de vida, quando não tratados, as ondas de calor e suores noturnos podem aumentar o risco cardiovascular e de doenças neurodegenerativas, como a demência, reforçando a necessidade de ampliar o acesso a terapias eficazes para essa fase.


“Fezolinetanto redefine a forma como os sintomas da menopausa são compreendidos e tratados. Tradicionalmente associados apenas à queda dos níveis de estrogênio, esses sintomas passam agora a ser abordados por meio de um mecanismo de ação inovador, diretamente ancorado na biologia das ondas de calor. Essa abordagem amplia as possibilidades terapêuticas e inaugura um novo capítulo no cuidado com a saúde da mulher, ao oferecer uma opção não hormonal, que expande as alternativas de tratamento para quem necessita, conta a médica ginecologista Thaís Ushikusa, da Astellas Farma Brasil. "A aprovação do fezolinetanto é muito esperada pelas mulheres quanto por médicos que tratam as ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos durante a menopausa”.

Avanço importante

ginecologista Fabiane Berta diz que o avanço é importante porque oferece uma nova rota de cuidado para mulheres que sofrem com fogachos e suores noturnos, mas ele não deve ser tratado como solução universal. "A menopausa exige avaliação clínica, escuta e indicação precisa. Nenhum medicamento, mesmo não hormonal, deve ser usado sem prescrição e acompanhamento”. 


O fezolinetanto atua no sistema nervoso central, em uma região do cérebro envolvida no controle da temperatura corporal. Na menopausa, a queda do estrogênio altera esse equilíbrio e favorece episódios de calor súbito e sudorese. O medicamento bloqueia seletivamente o receptor NK3, reduzindo a atividade que dispara esses sintomas.


Diferente da terapia hormonal tradicional, o novo tratamento não repõe estrogênio nem progesterona. Sua ação ocorre sobre a sinalização da neurocinina B, ligada aos neurônios KNDy, no hipotálamo. Na prática, a proposta é ajudar o organismo a modular o termostato interno, diminuindo a frequência e a intensidade dos episódios que comprometem rotina e descanso.


“Nem toda mulher precisa da mesma conduta. Algumas se beneficiam da terapia hormonal, outras têm contraindicações, receios ou perfis clínicos que pedem caminhos diferentes. A chegada de uma opção não hormonal amplia a conversa médica, desde que a decisão considere histórico, exames, medicamentos em uso e intensidade dos sintomas”, afirma a médica.


Os estudos de fase 3 que embasam a aprovação reuniram mais de 3 mil participantes. Em uma das análises, a dose de 45 mg reduziu a frequência dos sintomas vasomotores em 64% na semana 12. O material científico também aponta efeito observado desde o primeiro dia de uso.


Além dos calorões, os suores noturnos impactam sono, produtividade e qualidade de vida. O programa clínico mostra melhora em medidas relacionadas ao descanso, às atividades diárias e ao trabalho, pontos frequentemente minimizados quando a menopausa é reduzida a uma fase inevitável. Para muitas pacientes, dormir melhor significa recuperar energia, concentração e autonomia.


“Quando uma mulher deixa de dormir por causa dos suores noturnos, ela não perde apenas horas de descanso. Ela perde disposição, memória, desempenho profissional e estabilidade emocional. Tratar esses sintomas com seriedade é devolver qualidade de vida e até a produtividade, mas sempre com responsabilidade, porque segurança também faz parte do cuidado”, reforça Fabiane.


O medicamento é apresentado em comprimido de 45 mg, uma vez ao dia, e tem contraindicações que precisam ser observadas. O estudo cita hipersensibilidade ao princípio ativo, gravidez confirmada ou suspeita e uso conjunto com inibidores moderados ou fortes do CYP1A2, como fluvoxamina. Entre eventos adversos mais comuns aparecem diarreia e insônia.

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