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Aos 83 anos

Insuficiência cardíaca: entenda a condição que causou a morte de Renato Machado

A doença ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para suprir as necessidades do organismo

Publicado em 17 de Julho de 2026 às 17:37

Guilherme Sillva

Publicado em 

17 jul 2026 às 17:37
Renato Machado
Renato Machado morreu na última quinta-feira Reprodução @renato_machadooficial
O jornalista Renato Machado morreu, na última quinta-feira (16) em decorrência de uma insuficiência cardíaca. Aos 83 anos, ele estava internado em um hospital da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Em 2009, passou por uma cirurgia para a realização de nove pontes de safena, procedimento indicado para restaurar o fluxo sanguíneo do coração quando há obstrução nas artérias. Desde então, mantinha acompanhamento médico regular para monitorar a saúde cardiovascular.

Silenciosa em muitos casos, a insuficiência cardíaca costuma se manifestar por sintomas aparentemente comuns, como falta de ar, cansaço excessivo e inchaço nas pernas, fatores que frequentemente atrasam o diagnóstico e comprometem o tratamento.

O alerta ganha ainda mais importância diante de um cenário preocupante. As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são responsáveis por aproximadamente 18 milhões de óbitos por ano, o equivalente a quase um terço de todas as mortes registradas globalmente. No Brasil, as doenças do coração também lideram as estatísticas de mortalidade e representam uma das maiores demandas do sistema de saúde.

Dentro desse grupo, a insuficiência cardíaca merece atenção especial por seu impacto crescente, especialmente entre idosos e pessoas que convivem com hipertensão, diabetes, obesidade ou já sofreram infarto. A doença ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para suprir as necessidades do organismo, comprometendo o funcionamento de diversos órgãos e reduzindo significativamente a qualidade de vida.

Segundo a cardiologista Bianca Maria Prezepiorski, do Hospital Cardiológico Costantini,
um dos maiores desafios ainda é fazer com que a população reconheça os primeiros sinais da doença.

"É muito comum que os pacientes interpretem os sintomas como consequência da idade, da rotina ou da falta de condicionamento físico. Quando a falta de ar começa a limitar atividades simples ou o inchaço nas pernas passa a ser frequente, muitas vezes a insuficiência cardíaca já está instalada há bastante tempo. Quanto mais cedo esse quadro for identificado, maiores são as chances de controlar a evolução da doença e preservar a função do coração", explica.

Embora seja considerada uma condição crônica, a insuficiência cardíaca pode ser tratada e controlada. Os avanços da cardiologia nas últimas décadas permitiram ampliar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes por meio de novos medicamentos, protocolos terapêuticos e acompanhamento multidisciplinar.

"O tratamento evoluiu muito e hoje conseguimos oferecer uma perspectiva bastante diferente daquela de alguns anos atrás. O grande diferencial continua sendo o diagnóstico precoce, aliado ao acompanhamento especializado e à adesão do paciente ao tratamento", destaca a cardiologista.

A especialista lembra que a insuficiência cardíaca normalmente não surge de forma isolada. Hipertensão arterial, doença arterial coronariana, infarto do miocárdio, diabetes, obesidade, doenças das válvulas cardíacas e algumas cardiomiopatias estão entre as principais causas da doença.

"Manter a pressão arterial em níveis adequados, tratar corretamente o diabetes, praticar atividade física, abandonar o cigarro, manter uma alimentação equilibrada e realizar consultas periódicas são medidas capazes de reduzir significativamente o risco de desenvolver insuficiência cardíaca", afirma Bianca.

Os principais sinais de alerta da insuficiência cardíaca incluem falta de ar durante esforços ou mesmo em repouso; cansaço excessivo para atividades rotineiras; inchaço nos pés, tornozelos, pernas ou abdômen; ganho rápido de peso provocado por retenção de líquidos; tosse persistente, principalmente ao deitar; dificuldade para dormir totalmente deitado e palpitações.

Pessoas com hipertensão arterial, diabetes, obesidade, histórico de infarto, doença coronariana, alterações nas válvulas cardíacas ou antecedentes familiares de doenças cardiovasculares devem realizar acompanhamento cardiológico periódico, mesmo quando não apresentam sintomas.

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