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O ranking das melhores finais da Copa do Mundo de todos os tempos

Pelé e a seleção do tri em 1970? A primeira taça de Messi, no Catar? A conquista da Inglaterra em casa, em 1966? A BBC Sport elege as melhores finais de Copa do Mundo da história do torneio.

Publicado em 17 de Julho de 2026 às 18:35

BBC News Brasil

Publicado em 

17 jul 2026 às 18:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC
Toda final de Copa do Mundo, por definição, é simbólica.
É uma iguaria rara, que só provamos uma vez a cada quatro anos. E a Copa do Mundo da Fifa de 2026 é apenas a 23ª edição do torneio masculino em quase um século.
Como escolher as "melhores" finais? Pelos gols, pelo drama ou pelo desempenho dos superastros no auge da carreira?
Bem, eu tentei considerar todos esses aspectos, as partidas com histórico mais envolvente e os legados mais duradouros.
Você pode concordar ou discordar, mas aqui estão minhas 10 melhores finais da Copa do Mundo.
Imagem BBC Brasil
O pentacampeonato do Brasil em 2002 também marcou a redenção de Ronaldo Nazário Crédito: AFP via Getty Images

10. Brasil 2x0 Alemanha (Japão e Coreia do Sul, 2002)

Esta não foi a final mais dramática, mas teve uma história arrebatadora.
A Copa de 2002 trouxe a redenção de Ronaldo, após o trauma que ele viveu antes da derrota da seleção brasileira para a França, na final de 1998. Isso, sem falar nas lesões que ameaçaram sua carreira entre as duas Copas do Mundo.
Ronaldo jogou poucas partidas pela Inter de Milão, da Itália, antes do torneio. Mas ele foi o artilheiro que levou o Brasil até a final, com o apoio de Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, além do explosivo Roberto Carlos e de Cafu voando pelos lados.
Os dois gols de Ronaldo no segundo tempo foram decisivos para a vitória do Brasil contra a Alemanha em Yokohama, no Japão. Ninguém no estádio teria apostado que a seleção ficaria sem ganhar outro Mundial desde então.
Imagem BBC Brasil
Zidane foi expulso na final de 2006, faltando 10 minutos para o final da prorrogação Crédito: Getty Images

9. Itália 1x1 França — 5x3 nos pênaltis (Alemanha, (2006)

A imagem de Zinedine Zidane caminhando ao lado do troféu da Copa do Mundo, na beirada do campo, é lendária. Mas não pela forma como o francês gostaria.
Zizou era um dos astros do torneio. Ele abriu o placar de pênalti logo no início do jogo, com direito a cavadinha. Em um chute preciso, a bola beijou o travessão do goleiro Gianluigi Buffon e caiu pouco atrás da linha de gol.
Zidane seria expulso no segundo tempo da prorrogação. E Marco Materazzi acabou sendo o protagonista daquela final em Berlim, na Alemanha.
Depois de cometer o pênalti sobre Florent Malouda que levou ao gol da França que abriu o placar, o gigantesco zagueiro italiano empatou de cabeça após o escanteio cobrado por Andrea Pirlo, aos 19 minutos de jogo.
Mas a contribuição mais memorável do zagueiro da Inter de Milão foi conseguir a reação de Zidane, que lançou uma cabeçada sobre o seu esterno.
Aquele foi o último ato de Zidane como jogador. Ele já havia anunciado sua decisão de se aposentar após a Copa do Mundo.
Zidane saiu de campo, e a Itália ganhou nos pênaltis. Materazzi, é claro, marcou o dele.
Imagem BBC Brasil
A Holanda não se classificava para uma Copa do Mundo desde 1938, até chegar a duas finais consecutivas, em 1974 e 1978 Crédito: Getty Images

8. Alemanha Ocidental 2x1 Holanda (Alemanha Ocidental, 1974)

Esta deveria ter sido a vez da Holanda, com Johan Cruyff (1947-2016) e seus companheiros deslumbrando o mundo ao longo do torneio, com seu revolucionário carrossel holandês.
Na final, a Laranja Mecânica estava totalmente confiante, apesar das queixas de que a imprensa local vinha tentando prejudicá-los.
O jornal alemão Bild publicou uma reportagem sobre uma festa no hotel dos holandeses, com a manchete: Cruyff, champanhe, garotas nuas e um mergulho refrescante.
Um gol logo no início no Estádio Olímpico de Munique, na Alemanha, aumentou ainda mais a confiança dos holandeses, que marcaram antes mesmo que os alemães tocassem na bola.
Cruyff saiu correndo em ziguezague e foi derrubado na área por Uli Hoeness. Johan Neeskens (1951-2024) cobrou o pênalti e marcou.
Mas os donos da casa tinham outros planos. Paul Breitner converteu outro pênalti e, no final do primeiro tempo, a Alemanha virou com Gerd Müller (1945-2021). Os holandeses foram incapazes de se recuperar.
Quatro anos depois, sem Cruyff, a Holanda chegou novamente à final e perdeu para a Argentina na prorrogação, sob uma chuva de papel picado em Buenos Aires.
Imagem BBC Brasil
A Holanda levou a Argentina, dona da casa, à prorrogação na final da Copa de 1978, mas acabou perdendo por 3x1 Crédito: Getty Images

7. Alemanha Ocidental 3x2 Hungria (Suíça, 1954)

Na Copa de 1954, nenhuma seleção era mais elogiada do que a mágica equipe da Hungria, com seus intrépidos superastros Sandor Kocsis (1929-1979), Nándor Hidegkuti (1922-2002) e, é claro, Ferenc Puskás (1927-2006).
A Hungria havia vencido a Inglaterra por 6x3 no Estádio de Wembley, em Londres, no ano anterior à Copa — e novamente, por 7x1, antes do torneio.
Os húngaros eram campeões olímpicos e não perdiam há cinco anos. Eram mais de 30 jogos sem derrota.
Eles também marcaram, em média, 6,25 gols por jogo no seu caminho até a final da Copa da Suíça. E, na fase de grupos, a Hungria esmagou por 8x3 a mesma Alemanha Ocidental que enfrentaria na final.
Veio o jogo, e os húngaros chegaram a abrir 2x0 em oito minutos no Estádio Wankdorf, em Berna, com gols de Puskás e Zoltán Czibor (1929-1997). Mas a Alemanha Ocidental empatou 10 minutos depois.
Os alemães conseguiram se manter no jogo, enquanto os húngaros chutavam nas traves, no travessão e diversas vezes para fora do gol.
Até que, faltando seis minutos para o término da partida, Helmut Rahn (1929-2003) marcou o gol da vitória alemã, em uma partida surpreendente que ficaria conhecida como o Milagre de Berna.
Imagem BBC Brasil
Vice-campeã de 1938, a Hungria não voltou a disputar uma final de Copa do Mundo depois da surpreendente derrota por 3x2 para a Alemanha Ocidental, em 1954 Crédito: Getty Images

6. Argentina 3x2 Alemanha Ocidental (México, 1986)

Esta foi realmente a Copa de Diego Maradona (1960-2020), mesmo com o alemão Lothar Matthäus tentando "grudar" no diminuto argentino como se fosse uma camisa encharcada de suor no calor do Estádio Azteca, na Cidade do México.
A Argentina abriu o placar com José Luis Brown (1956-2019). Jorge Valdano ampliou, após um rápido contra-ataque já no segundo tempo.
Os argentinos poderiam ter aumentado sua vantagem antes que os alemães, de camisa verde, pudessem descontar o marcador.
O capitão da Alemanha Ocidental, Karl-Heinz Rummenigge, marcou aos 29 do segundo tempo e Rudi Völler, que entrou durante o jogo, empatou pouco depois, após cobrança de escanteio: 2x2.
Tudo se encaminhava para a prorrogação, até que, faltando seis minutos, um momento mágico de Maradona decretou o placar final.
O passe de primeira do atacante argentino mandou a bola para Jorge Burruchaga correr e marcar o gol da vitória. A Argentina era campeã, e Diego conquistava o mundo.
Imagem BBC Brasil
Diego Maradona marcou cinco gols e fez cinco assistências na Copa do Mundo de 1986, disputada no México Crédito: Getty Images

5. França 3x0 Brasil (França, 1998)

Com o prestígio da França nas últimas Copas do Mundo, é difícil imaginar uma época em que os Les Bleus (os Azuis) nunca haviam conquistado o principal torneio do futebol mundial.
Mas, em 1998, eles sediaram o torneio pela segunda vez, depois de 60 anos, e ficaram com o troféu.
A França formou um esquadrão multicultural que representava uma nação diversificada, sob o comando do imigrante argelino de segunda geração Zinedine Zidane.
"Todos aqueles jogadores com origens tão diferentes conseguiram representar a França até a vitória", declarou o zagueiro francês Lilian Thuram. "Foi uma mensagem muito poderosa para a sociedade."
Os superastros franceses brilharam no campo de jogo, mas a final é mais lembrada pela histeria ocorrida antes do jogo, em torno do melhor jogador do mundo na época, o atacante brasileiro Ronaldo Nazário.
Ele sofreu uma convulsão naquele dia, mas recebeu luz verde para começar a partida pela equipe de Mário Jorge Lobo Zagallo (1931-2024). Ele estava longe da sua melhor forma.
A França venceu tranquilamente por 3x0. Zidane marcou dois gols e Emmanuel Petit fechou o placar no final do jogo.
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Zinedine Zidane era motivo de inspiração para o país-sede da Copa de 1998 Crédito: Corbis via Getty Images

4. Brasil 5x2 Suécia (Suécia, 1958)

Pelé? Quem é ele?
Édson Arantes do Nascimento (1940-2022) ainda era adolescente em 1958. Mas ele já era um superastro no Brasil, marcando gols com uma velocidade inacreditável e se tornando o mais jovem artilheiro da história do futebol do país.
Mas o rei ainda era um desconhecido no mundo do esporte, até a fase de quartas de final da Copa do Mundo daquele ano.
Pelé chegou à Suécia com uma lesão no joelho.
Ele marcou contra o País de Gales nas quartas, fez três gols no segundo tempo contra a França na semifinal e estabeleceu sua lenda na final contra os donos da casa.
Pelé tinha 17 anos. E, com sua camisa 10 de cor azul, ele marcou duas vezes na vitória brasileira por 5x2 — até hoje, o maior placar já registrado em uma final de Copa do Mundo.
Seu primeiro gol ainda é lembrado como um dos maiores da competição em todos os tempos. O rei matou a bola no peito, deu um chapéu no zagueiro e disparou no canto inferior.
Foi o primeiro triunfo do Brasil em Copas do Mundo. Pelé cumpriu a promessa feita ao seu pai após o Maracanazo de 1950, quando o Uruguai surpreendeu o Brasil na sua própria casa.
"Eu me lembro de vê-lo sentado ao lado do rádio, soluçando", contaria Pelé à Fifa mais tarde. "E ele me disse: 'o Brasil perdeu a Copa do Mundo'."
"Lembro de dizer para ele, brincando: 'Não chore, pai. Vou ganhar a Copa do Mundo para você.'"
Imagem BBC Brasil
Após perder para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950, a seleção brasileira conquistou seu primeiro título oito anos depois, na Suécia Crédito: Getty Images

3. Inglaterra 4x2 Alemanha Ocidental, após prorrogação (Inglaterra, 1966)

Sessenta anos se passaram e esta continua sendo a única conquista da seleção inglesa na Copa do Mundo.
A narração de Kenneth Wolstenholme (1920-2002) para a BBC permanece viva na memória dos torcedores ingleses. E Geoff Hurst ainda é o único jogador a marcar três gols em uma final de Copa do Mundo pelo lado vencedor.
Mas drama foi o que não faltou naquela final. Helmut Haller (1939-2012) abriu o placar para os alemães. A Inglaterra virou o jogo, com gols de Hurst e Martin Peters (1943-2019).
A vitória inglesa parecia certa, mas Wolfgang Weber empatou para a Alemanha, faltando um minuto para o fim do tempo normal: 2x2.
Veio a prorrogação e Hurst marcou mais um. A bola bateu no travessão e, dali, na linha de gol, gerando grande polêmica. E ele ainda fez o seu terceiro gol no jogo, o quarto da Inglaterra, nos segundos finais.
"Algumas pessoas estão no campo de jogo, eles acham que já acabou", narrou Wolstenholme, quando Hurst partia para marcar o quarto gol inglês. "Agora, acabou!"
Imagem BBC Brasil
A Inglaterra foi o primeiro país anfitrião a conquistar a Copa do Mundo desde a Itália, em 1934 Crédito: Getty Images

2. Argentina 3x3 França — 4x2 nos pênaltis (Catar, 2022)

Este foi o momento que definiu aquele que certamente é um dos melhores jogadores da história do futebol.
Havia quem defendesse que Lionel Messi só atingiria este nível se conquistasse uma Copa do Mundo. Esta mesma noção era repetida na Argentina, onde brilhava o legado de Diego Maradona.
Mas, quatro anos atrás, Messi e a Argentina ofereceram talvez a final mais dramática de todos os tempos.
Os argentinos venciam por 2x0 e pareciam confortáveis até que Kylian Mbappé marcou duas vezes no segundo tempo, levando a final do Catar para a prorrogação.
Messi assinalou seu segundo gol na partida, de pênalti, colocando novamente a Argentina em vantagem. E o terceiro gol de Mbappé, dois minutos antes do final, levou a decisão para os pênaltis.
Mbappé e Messi converteram suas cobranças. Mas o verdadeiro herói foi o valente goleiro argentino Emiliano Martínez, que defendeu uma das cobranças francesas.
"Nunca esqueceremos aquele jogo, tive muita sorte por estar aqui", declarou à BBC o ex-zagueiro argentino Pablo Zabaleta. Foram vários dias de festa na Argentina.
Imagem BBC Brasil
Lionel Messi marcou dois gols na final de 2022, quando a Argentina venceu sua primeira Copa do Mundo desde 1986 Crédito: Getty Images

1. Brasil 4x1 Itália (México, 1970)

A magia e a mística do Estádio Azteca. Vibrantes camisas amarelas e azuis se destacavam até mesmo na má qualidade da transmissão pela TV daquela época.
Os dois países que mais dominavam o futebol mundial se enfrentaram para conquistar em definitivo a Taça Jules Rimet.
O Brasil de 1970 é considerado até hoje o brilho do futebol no seu auge, a barra usada para avaliar cada seleção. A equipe contava com Pelé, é claro, mas também com Jairzinho, Tostão e Rivellino.
No calor do sol mexicano, foi uma apresentação gloriosa. A seleção de Zagallo massacrou a Azzurra com todos os seus astros, como Gigi Riva (1944-2024), Sandro Mazzola e Giacinto Facchetti (1942-2006).
Pelé abriu o placar de cabeça, mas os italianos puniram o exibicionismo do meio-campo do Brasil, empatando o jogo ainda antes do intervalo.
Até que, no segundo tempo, o Brasil venceu os europeus com folga.
Gérson disparou contra o goleiro italiano Enrico Albertosi sem luvas, Jairzinho marcou após o toque de cabeça de Pelé e Carlos Alberto (1944-2016) fechou a goleada que marcou talvez a apresentação mais completa de uma equipe em uma final de Copa do Mundo.
Que grande jogo!
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O Brasil conquistou definitivamente a Taça Jules Rimet após o tricampeonato no México, em 1970 Crédito: Getty Images

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