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Entenda

Herpes-zóster em adultos jovens: fatores que podem influenciar a reativação do vírus

As lesões nem sempre aparecem logo no iO primeiro alerta geralmente é uma dor localizada, em faixa e unilateral, acompanhada de ardência, formigamento, hipersensibilidade ou sensação de choque

Publicado em 23 de Julho de 2026 às 09:00

Guilherme Sillva

Publicado em 

23 jul 2026 às 09:00
Homem com doença de herpes zóster na pele
Homem com doença de herpes-zóster na pele shutterstock

Casos de herpes-zóster em jovens e adultos abaixo de 50 anos têm sido cada vez mais frequentes. Estudos epidemiológicos utilizados pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), mostram que cerca de quatro a cinco em cada 1.000 pessoas entre 40 a 49 anos desenvolvem a doença anualmente. 


A doença ocorre pela reativação do vírus varicela-zóster, favorecida por fatores que comprometem a resposta imunológica, como o envelhecimento, doenças crônicas, imunossupressão e, possivelmente, situações de estresse prolongado. “Hoje não é incomum observar casos em adultos mais jovens. Estresse crônico, privação de sono e outros fatores que afetam o sistema imunológico podem favorecer a reativação do vírus”, explica o infectologista Thiago Zinsly, da Care Plus.


Diferentemente do que ocorre na população acima dos 50 anos, em que o risco de herpes zoster aumenta principalmente em decorrência do envelhecimento do sistema imunológico, o surgimento da doença em adultos mais jovens costuma estar associado a fatores que podem comprometer a resposta imunológica. Entre eles estão algumas doenças crônicas, condições de imunossupressão e, possivelmente, situações de estresse prolongado, privação de sono e sobrecarga física ou emocional. Esses fatores podem reduzir a capacidade do organismo de manter o vírus varicela-zóster em estado latente, favorecendo sua reativação.


Após o contato inicial na infância - seja pela infecção natural (catapora) ou pela vacinação, o vírus permanece em estado latente nos gânglios do sistema nervoso. Ou seja, quem teve contato com o vírus permanece com ele ‘adormecido’ no corpo. Quando ocorre uma redução da imunidade celular, esse vírus pode ser reativado e se manifestar na forma de herpes-zóster.


De acordo com a infectologista Michelle Zicker, do Grupo São Cristóvão Saúde, o herpes-zóster se manifesta como uma faixa de vesículas dolorosas em um lado do corpo, geralmente no tronco, mas também pode atingir o rosto ou outras regiões. “Trata-se da reativação do vírus da catapora. Após a infecção inicial, ele permanece adormecido nos nervos e pode voltar a se manifestar anos depois, principalmente quando há queda da imunidade”, explica a especialista.


Embora qualquer pessoa que já teve catapora possa desenvolver o herpes zóster, o risco é maior entre idosos e pessoas com imunidade comprometida. “O envelhecimento natural e condições como infecção pelo HIV, quimioterapia ou uso de medicamentos imunossupressores aumentam a chance do vírus se reativar”, destaca Michelle.


De acordo com Zinsly, embora o avanço dos casos entre jovens adultos seja um movimento documentado antes da pandemia de covid-19, o cenário atual intensificou os gatilhos associados ao risco. “Hoje vemos uma população mais exposta a níveis elevados de desgaste emocional, condições que podem favorecer a reativação viral”, observa o médico.

Complicações e dor persistente

Um dos principais desafios associados ao herpes-zoster em adultos jovens é o reconhecimento precoce da doença. Por ser classicamente associada ao envelhecimento, os sinais iniciais podem ser confundidos com condições comuns da vida adulta, como dores musculares, desconfortos relacionados ao estresse ou reações alérgicas na pele.


“As lesões nem sempre aparecem logo no início, o que pode atrasar o diagnóstico. O primeiro alerta geralmente é uma dor localizada, em faixa e unilateral, acompanhada de ardência, formigamento, hipersensibilidade ou sensação de choque”, detalha o infectologista.


Essa dor geralmente surge de dois a cinco dias antes do aparecimento das lesões cutâneas características. Em seguida, podem surgir áreas de vermelhidão e pequenas bolhas agrupadas, distribuídas ao longo do trajeto de um nervo e limitadas a um lado do corpo.


Uma das principais complicações é a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor intensa e persistente mesmo após a cicatrização das lesões. “Alguns pacientes continuam sentindo dor por semanas ou meses após a fase aguda, o que pode afetar significativamente a qualidade de vida”, afirma a infectologista.

Nos estágios iniciais, o herpes-zóster pode ser confundido com outras doenças de pele, mas há sinais característicos. “As lesões costumam aparecer apenas de um lado do corpo, acompanhadas de dor e sensibilidade local. Diferente de outras erupções cutâneas, o herpes-zóster costuma causar desconforto intenso”, ressalta a especialista.

Indicações para a vacinação

No contexto da imunização, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacina contra o herpes-zóster prioritariamente para pessoas a partir dos 50 anos. O imunizante também é indicado para adultos imunocomprometidos a partir dos 18 anos.


Para a população fora dessas indicações regulatórias, não há restrição absoluta, mas o acesso exige avaliação clínica. “Para quem está fora das indicações formais, a decisão deve ser individualizada e discutida com o médico, considerado histórico clínico e fatores de risco. E vale lembrar que quem já teve herpes-zóster também deve conversar com um especialista sobre vacinação”, orienta Zinsly.


Além da vacinação, manter hábitos de vida saudáveis contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico e para a saúde geral. “Sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física regular e manejo do estresse são essenciais. O sistema imunológico responde diretamente à forma como vivemos e reduzir fatores estressores faz diferença para a saúde como um todo”, conclui o infectologista


A prevenção é possível por meio da vacinação. “A vacina contra a varicela, aplicada na infância, reduz a chance de infecção inicial. Já a vacina específica contra o herpes-zóster, indicada para adultos, especialmente acima dos 50 anos, ajuda a diminuir o risco de desenvolver a doença e suas complicações”, diz Michelle.

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