O envelhecimento da pele do pescoço é um dos processos mais perceptíveis, mas frequentemente negligenciados na rotina diária de cuidados. Muitas vezes, a atenção se concentra quase inteiramente no rosto, deixando a região logo abaixo esquecida até que os primeiros sinais de flacidez e linhas profundas fiquem evidentes. Entender por que essa área é tão vulnerável e a importância de tratá-la precocemente é essencial para manter a saúde e a sustentação cutânea a longo prazo.
A dermatologista Giane Giro explica que a pele do pescoço é mais fina do que a do rosto e tem menos colágeno e elastina para o suporte estrutural. Além disso, a pele do pescoço possui menos anexos, como glândulas e folículos pilosos. "Isso reduz a 'reserva' para a cicatrização e regeneração da pele. A menor quantidade de glândulas sebáceas leva a uma produção menor da oleosidade natural. Isso favorece o aparecimento de textura mais seca e aparência envelhecida da pele".
Pela anatomia da região, temos menos suporte de tecidos profundos e ligamentos de sustentação do que a face, o que também favorece a flacidez. A pele da região cervical está firmemente ligada ao músculo platisma. "Com a idade, a atividade constante e o afinamento do músculo, surgem bandas proeminentes que agravam o aspecto envelhecido na pele que já é naturalmente fina. Outro fator que contribuiu para o envelhecimento acelerado do pescoço é a exposição constante à luz do sol, que geralmente recebe menos cuidados de fotoproteção que o rosto", diz a médica.
É importante manter uma rotina de cuidados com a pele que inclua a hidratação, para preservar a barreira cutânea e a qualidade da pele. A pele do pescoço costuma ser mais sensível que a do rosto e tolera menos o uso de ácidos, mas o dermatologista pode adaptar uma rotina
Giane Giro Dermatologistas
Giane reforça que é importante lembrar que os fatores do ambiente influenciam o envelhecimento de todo o corpo. "Manter hábitos de vida saudáveis, como sono e alimentação adequados, não fumar, e reduzir o consumo de álcool, ajudam na saúde da pele e a desacelerar o envelhecimento".
A dermatologista Priscila Passamani explica que a vulnerabilidade do pescoço começa na própria biologia. "A pele do pescoço é naturalmente mais fina, tem menor quantidade de glândulas sebáceas e, quando comparada à pele do rosto, tem menos colágeno", afirma. Mas não é só isso. "O pescoço está ao redor de um grande orifício, o do crânio, para passar a medula e a coluna. Isso dá a ele uma mobilidade enorme, o tempo todo. Assim como a região dos olhos e da boca, o pescoço se movimenta muito, e essa estrutura envelhece mais rápido que o rosto."
Por trás da flacidez no pescoço está um músculo pouco conhecido, o platisma. "Ele é um músculo fino que cobre toda a parte anterior do pescoço, desde a base da mandíbula até a clavícula", explica Priscila. Sua função vai além do que muitos imaginam, ele participa da abertura da boca, do movimento da cabeça e sustenta toda a região cervical.
Com o passar dos anos, o platisma vai perdendo tônus. "Ele fica frouxo, as chamadas bandas platismais ficam mais visíveis e ele já não sustenta mais a pele que está em cima dele", descreve a médica. O resultado é aquele aspecto de pele solta, contorno indefinido entre rosto e pescoço e a sensação de que o rosto está sendo puxado para baixo. "Quando você sorri, parece que não há mais definição entre o rosto e o pescoço".
Alterações hormonais, variações de peso ao longo da vida e a hipermobilidade da musculatura – estimulada por anos de fala, mastigação e movimento – aceleram ainda mais esse processo.
Botox para o tratamento do platisma
As dermatologistas estiveram em São Paulo onde participaram do Botox Authentic Expression, evento promovido pela marca Botox, que foi pioneira no uso da toxina botulínica para fins estéticos. O primeiro estudo do Botox para tratamento das rugas de expressão foi publicado em 1992 por Jean Carruthers, médica canadense, que esteve presente no evento em São Paulo.
"A toxina botulínica se tornou um dos procedimentos estéticos mais realizados no mundo, e agora foi aprovada pela Anvisa e pelo FDA americano uma nova indicação de uso da onabotulinumtoxinA (a toxina da marca Botox), para o tratamento da proeminência do platisma", diz Giane Giro. O evento marcou o lançamento oficial do protocolo do Botox para o tratamento do platisma no Brasil, com o detalhamento dos pontos e doses a serem utilizadas na aplicação.
O platisma é um músculo fino e superficial do pescoço que se origina na parte superior do tórax e segue ao longo do pescoço e se estende até o terço inferior da face.
Priscila Passamani diz que o evento reforçou a importância de incluir o pescoço no protocolo de tratamento da toxina butolínica. A lógica é simples: ao relaxar o platisma com o Botox, reduz-se a força que puxa o rosto para baixo.
"O vetor passa a ser para cima. É um efeito de lifting sem cirurgia", explica. O resultado é um contorno mais definido na mandíbula, pescoço com aspecto mais leve e rosto com visual mais descansado e elegante.
A indicação, segundo a médica, é ampla. "Hoje eu indico a toxina botulínica full face para todos os pacientes que querem um rosto mais descansado, com contornos mais definidos. O Botox entra como tratamento preventivo, ele evita a formação de rugas ao relaxar a musculatura e reduzir a hipermobilidade".
O vetor passa a ser para cima. É um efeito de lifting sem cirurgia. O resultado é um contorno mais definido na mandíbula, pescoço com aspecto mais leve e rosto com visual mais descansado
Priscila Passamani Dermatologista
A dermatologista Giane Giro explica que quando o platisma se contrai, puxa para baixo a pele e os músculos da região inferior do rosto, reduzindo a definição do contorno mandibular e acentuando as bandas verticais do pescoço, os “feixes” platismais.
"Ele também participa das expressões faciais e da comunicação não verbal. Sua contração está relacionada a expressões associadas ao estresse emocional, como medo, nojo, raiva, pavor e frustração. Por esse motivo, alterações nessa musculatura podem influenciar diretamente a forma como as emoções são percebidas socialmente".
A toxina botulínica promove o relaxamento temporário da musculatura onde é realizada a aplicação, reduzindo sua força. "A contração do platisma traciona o terço inferior do rosto para baixo e evidencia as bandas verticais do pescoço. Quando aplicamos o Botox no segmento superior do músculo, ao longo da borda inferior da mandíbula, suavizamos esse vetor descendente. O resultado é a melhora do contorno do rosto, com um efeito lifting na região, porque os músculos elevadores da face passam a trabalhar com menos oposição do platisma", explica Giane Giro.
Além disso, o tratamento com a onabotulinumtoxinA (Botox) nas bandas verticais suaviza a proeminência dos feixes. Um dos atributos de beleza do pescoço é a ausência dos feixes do músculo platisma. "Outro benefício é reduzir a aparência de tensão constante da região. Como consequência, alguns pacientes podem ficar com a expressão mais leve e serena", diz Giane.
O paciente deve ser avaliado em contração máxima do platisma, e não em repouso. A contração do platisma pode ser observada quando a pessoa faz uma expressão de esforço, puxando os cantos da boca para baixo, geralmente expondo os dentes inferiores e tensionando o pescoço. "Se na contração do músculo observamos a acentuação das bandas verticais do pescoço e 'apagamento' do contorno da mandíbula, existe indicação de tratamento", afirma a dermatologista.
Mas existem situações em que o tratamento não é indicado. "A presença de gordura submentual, a 'papada', ou flacidez cutânea importante, pode mascarar a proeminência do platisma e comprometer o resultado. A toxina botulínica atua no componente muscular e não resolve flacidez de pele, nem acúmulo de gordura, por isso cada paciente deve ser avaliado individualmente", finaliza Giane Giro.