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Além do sabor: como o som e a crocância dos alimentos ajudam a combater a seletividade infantil

Nutricionista explica como os estímulos sensoriais e auditivos na mastigação são aliados dos pais para ampliar o repertório alimentar dos pequenos de forma leve e divertida

Publicado em 03 de Julho de 2026 às 15:15

Portal Edicase

Publicado em 

03 jul 2026 às 15:15
A percepção dos alimentos também é influenciada pela textura, pela aparência e até pelo som produzido durante a mastigação (Imagem: Kseniia Perminova | Shutterstock)
A percepção dos alimentos também é influenciada pela textura, pela aparência e até pelo som produzido durante a mastigação Crédito: Imagem: Kseniia Perminova | Shutterstock
A hora da refeição é, muitas vezes, um campo de batalha para pais e mães que enfrentam a seletividade alimentar dos filhos. No entanto, a aceitação de um novo ingrediente vai muito além do paladar: a aparência, o tato e até o som produzido na mastigação desempenham um papel importante na construção dos hábitos das crianças.
Um famoso estudo conduzido na Universidade de Oxford, chamado “ The Role of Auditory Cues in Modulating the Perceived Crispness and Staleness of Potato Chips ”, publicado no periódico científico Journal of Sensory Studies, comprovou que o som da mordida modifica diretamente a percepção de frescor e crocância dos alimentos. Isso mostra que a experiência de comer é o resultado da integração de todos os nossos sentidos.
Na rotina das famílias, alimentos crocantes e com texturas diferentes funcionam como uma excelente ferramenta estratégica para tornar o prato mais atraente. “A percepção dos alimentos não depende apenas do sabor. Características como textura, aparência e até o som produzido durante a mastigação participam ativamente da experiência alimentar”, explica a nutricionista da Papapá, Carolina Donan.
Nesse contexto, a crocância estimula uma relação mais positiva com os alimentos . “A crocância chama a atenção porque combina estímulos táteis e auditivos que tornam o momento de comer muito mais envolvente e divertido para os pequenos”, acrescenta.

O papel das texturas no desenvolvimento do seu filho

Variar a consistência do que é oferecido não serve apenas para driblar a recusa alimentar, mas também é uma recomendação das principais diretrizes de saúde do país, como o “Guia Alimentar para a População Brasileira”, do Ministério da Saúde.
A oferta progressiva de alimentos com texturas firmes e aeradas favorece o desenvolvimento das habilidades orais, ajuda a fortalecer a musculatura da mastigação e prepara a criança para uma boa aceitação alimentar ao longo de toda a infância.
Incluir alimentos crocantes e com diferentes texturas pode ser uma estratégia simples para tornar as refeições mais atrativas para as crianças (Imagem: Oksana Kuzmina | Shutterstock)
Incluir alimentos crocantes e com diferentes texturas pode ser uma estratégia simples para tornar as refeições mais atrativas para as crianças Crédito: Imagem: Oksana Kuzmina | Shutterstock

Como introduzir alimentos na primeira infância

Para auxiliar os pais e responsáveis a conduzirem a fase de introdução alimentar com mais leveza, a especialista separou 3 dicas práticas para aplicar no dia a dia:

1. Aposte no fator diversão

Alimentos em formatos alongados (estilo palitinhos) ou que façam um som divertido ao morder despertam a curiosidade natural da criança, tirando o peso da obrigação de comer.

2. Priorize listas de ingredientes limpas (clean label)

Na hora de buscar lanches práticos para o dia a dia, leia os rótulos. Opte por opções sem açúcar adicionado, corantes ou conservantes artificiais, garantindo uma introdução alimentar segura .

3. Tenha paciência e constância

A exposição frequente e a familiaridade com as diferentes apresentações no prato são mais importantes do que a aceitação imediata. O aprendizado é gradual.
“Quando a criança tem oportunidades reais de explorar diferentes sabores, aromas e texturas em um ambiente positivo e sem pressões, ela amplia seu repertório e desenvolve uma relação saudável com a comida a longo prazo”, finaliza Carolina Donan.
Por Sarah Corazza

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