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'Trump pode continuar gostando dos Bolsonaros, mas não se meta nas eleições', diz Lula após americano afirmar que situação política brasileira é perigosa

Segundo Lula, a ameaça dos EUA de novas tarifas é "uma coisa desaforada" para o Brasil, e Trump continua agindo como imperador.

Publicado em 17 de Junho de 2026 às 17:35

BBC News Brasil

Publicado em 

17 jun 2026 às 17:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: AFP via Getty Images
Donald Trump pode continuar gostando da família Bolsonaro, mas não pode violar a soberania e se meter nas eleições brasileiras, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o líder americano afirmar que o Brasil se tornou "perigoso do ponto de vista político".
Lula foi questionado sobre as declarações dadas pelo presidente americano ao final da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.
"Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso", disse o presidente brasileiro, durante uma entrevista coletiva em Genebra para tratar de sua participação no G7.
"Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema – é um problema dele afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se menta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil".
Mais cedo, durante sua própria entrevista coletiva de encerramento do fórum, Trump disse que conversou com Lula durante o evento.
"Eu passei bastante tempo com ele [Lula]. E o Brasil se tornou um país um pouco complicado, politicamente. Ficou um pouco perigoso do ponto de vista político", afirmou, após ser questionado por uma jornalista brasileira se havia conversado com Lula.
Trump ainda faz uma menção ao que se supõe ser a condenação de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (16/06).
O presidente americano, porém, pareceu confundir o filhos do meio do ex-presidente com seu filho mais velho, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP).
"Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Prenderam, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele", disse
Em resposta, Lula disse ainda que Trump "conhece pouco o Brasil" e que, se conhece o país através da família Bolsonaro, "ele desconhece" o Brasil de verdade.
O presidente brasileiro também defendeu o processo eleitoral brasileiro, as urnas eletrônicas e a democracia. "Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas", disse.
"Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele [Trump] como é que ela funciona."
Imagem BBC Brasil
'O Brasil se tornou um país um pouco complicado, politicamente', disse Trump no G7 Crédito: AFP via Getty Images

Ameaça das tarifas é 'uma coisa desaforada'

Lula falou a jornalistas na residência oficial do embaixador do Brasil nas Nações Unidas, em Genebra. O presidente participou de uma reunião com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no local.
Ele também foi questionado sobre as interações que teve com Donald Trump durante o fórum do G7, que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.
Esta foi a primeira vez que os dois estiveram no mesmo local desde que o governo americano anunciou a possibilidade de aplicar uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras.
Segundo Lula, a ameaça das tarifas é "uma coisa desaforada" para o Brasil.
"Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador", afirmou.
O petista disse ainda que não solicitou uma reunião bilateral com o chefe de Estado americano porque os dois países estão no meio da negociação sobre o tema.
Lula disse ainda que entregou ao governo americano um documento detalhando as ações brasileiras de combate ao crime organizado.
"Eu entreguei por escrito, porque quando eu converso com uma pessoa que fala mais do que ouve, eu faço questão de entregar por escrito para as pessoas não esquecerem", disse, dizendo ainda que ficou surpreso quando recebeu a notícia sobre a designação das facções brasileiras como terroristas.
"Eu falei para ele que essas organizações criminosas são terroristas para o povo brasileiro, para o povo das comunidades do Brasil. Não são terroristas como você pensa, eles não querem brigar e derrotar o Estado, eles querem dinheiro."
Lula completou ainda sua resposta dizendo que os Estados Unidos deveriam, em uma ação de combate ao crime organizado, prender alguns dos brasileiros envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 2022.
O presidente deu como exemplo de quem deveria ser preso por Trump o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão no caso que apurou uma tentativa de golpe de Estado, e que vive nos EUA.

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