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Houthis do Iêmen anunciam 'embargo marítimo' à Arábia Saudita em rota crucial do petróleo: 'Olho por olho'

Grupo apoiado pelo Irã afirma que o embargo no Estreito de Bab al-Mandab começa imediatamente e é uma resposta ao bloqueio saudita de portos e aeroportos no Iêmen.

Publicado em 20 de Julho de 2026 às 17:35

BBC News Brasil

Publicado em 

20 jul 2026 às 17:35
Imagem BBC Brasil
Os houthis disseram que embargo é resposta ao bloqueio saudita de portos e aeroportos no Iêmen Crédito: EPA
Os houthis do Iêmen anunciaram nesta segunda-feira (20/7) um "embargo marítimo" contra a Arábia Saudita.
O porta-voz militar do grupo apoiado pelo Irã disse que a ofensiva começaria imediatamente e seria uma retaliação ao bloqueio saudita de portos e aeroportos no noroeste do Iêmen, região controlada pelos houthis.
Ele deu poucos detalhes sobre o embargo, mas um porta-voz do setor de comunicação houthi disse que o grupo estava fechando para embarcações sauditas o Estreito de Bab al-Mandab, porta de entrada sul para o Mar Vermelho.
Não houve comentários imediatos por parte das autoridades sauditas.
O Mar Vermelho tornou-se crucial para os embarques de petróleo da Arábia Saudita durante a guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Isso ocorre uma semana após a escalada mais significativa no conflito, em grande parte adormecido, entre os houthis e a Arábia Saudita desde que uma trégua informal entrou em vigor em 2022.
Os houthis afirmaram ter lançado mísseis contra o aeroporto de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita, em resposta aos ataques aéreos contra o aeroporto de Sanaa, que atribuíram aos sauditas.
Os ataques foram reivindicados pelo governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, que afirmou ter tentado impedir que um avião iraniano pousasse na capital sem autorização.
O Iêmen foi devastado por uma guerra civil que começou em 2014, quando os houthis depuseram o governo de Sanaa. O conflito se intensificou em 2015, após a intervenção da coalizão de estados árabes liderada pela Arábia Saudita, em uma tentativa de restaurar o governo.
Segundo as Nações Unidas, os combates deixaram mais de 150 mil mortos e desencadearam uma das piores crises humanitárias do mundo, com mais de 22 milhões de pessoas precisando de algum tipo de ajuda humanitária.
Na segunda-feira, o porta-voz militar houthi, Yahya Sarea, afirmou que a Arábia Saudita impôs um "cerco injusto e opressivo ao nosso querido povo por quase 12 anos, saqueando nossos recursos e impondo um bloqueio total aos nossos portos e aeroportos por terra, mar e ar".
Ele então anunciou que o grupo havia decidido responder declarando um "embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, baseado na equação de 'olho por olho'".
"Qualquer ato insensato cometido pelo imprudente inimigo saudita, seja por meio de escalada ou por qualquer outro meio, será respondido com uma escalada abrangente e decisiva", acrescentou.
Sarea não forneceu mais informações sobre o embargo, mas o vice-chefe do escritório de comunicação dos Houthis, Nasruddin Amer, escreveu na rede social X (antigo Twitter) que as forças do grupo estavam "fechando o Estreito de Bab al-Mandab para navios inimigos sauditas".
Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC
O Estreito de Bab el-Mandab, uma via navegável de 32 km de largura localizada entre o sudoeste do Iêmen e o Chifre da África, conecta o Golfo de Aden ao Mar Vermelho, que, por sua vez, está ligado ao Mediterrâneo pelo Canal de Suez.
Logo após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, os houthis começaram a atacar navios mercantes no Mar Vermelho e no Golfo de Aden com mísseis, drones e pequenas embarcações, alegando estarem agindo em apoio aos palestinos.
Quatro navios foram afundados, nove tripulantes morreram e o tráfego comercial pelo Estreito de Bab el-Mandab atingiu atingiu o menor nível histórico, com as companhias de navegação redirecionando seus navios pela rota ao redor do Cabo da Boa Esperança, no sul da África.
Embora os houthis tenham interrompido seus ataques em resposta ao cessar-fogo em Gaza em outubro passado, o trânsito pelo estreito ainda não retornou aos níveis anteriores, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em resposta à situação no Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita redirecionou mais de 70% de suas exportações de petróleo bruto para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Cerca de 4 milhões de barris por dia foram enviados dali nas últimas semanas, em comparação com cerca de 973 mil no ano anterior, de acordo com dados da Kpler e da Signal Ocean.
O volume total de petróleo que transitou por Bab al-Mandab também aumentou para 7,4 milhões de barris por dia em junho, ou cerca de 7% da produção global.
Mohammed Albasha, da empresa de consultoria de risco Basha Report, sediada nos EUA, afirmou que ainda não estava claro se os houthis começariam a atacar embarcações com destino à Arábia Saudita.
"Mesmo que nenhum navio seja atacado, o anúncio por si só provavelmente interromperá o transporte marítimo e criará incerteza para os portos sauditas. Se os houthis passarão das ameaças para a ação direta continua sendo a questão crucial", disse ele à agência de notícias Reuters.

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