O Clube Álvares Cabral foi suspenso por 180 dias de todas as competições organizadas pela Confederação Brasileira de Basketball (CBB) e ainda recebeu multa de R$ 5 mil em decorrência de um caso de injúria racial registrado durante o Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI) Sub-17 Masculino, em maio deste ano.
Entenda o caso
A decisão foi publicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Basquete após denúncia envolvendo manifestações racistas vindas da arquibancada durante uma partida do CBI Sub-17 Masculino, disputado em maio. Na ocasião, torcedores ligados ao Álvares Cabral teriam dirigido ofensas raciais a um atleta adversário.
Após o episódio, o clube divulgou uma nota oficial repudiando qualquer manifestação preconceituosa e classificando o racismo como "uma falta grave", reforçando que atitudes dessa natureza não representam a instituição.
Segundo o presidente do clube, Fernando Bissoli, a direção identificou que uma das pessoas envolvidas era mãe de um atleta das categorias de base e determinou que ela ficasse proibida de frequentar atividades do Álvares Cabral por dois anos. A outra pessoa apontada, de acordo com ele, não é sócia nem possui qualquer vínculo com a instituição.
"O Álvares tem 124 anos e nunca viveu uma situação como essa. Nós somos totalmente contra qualquer tipo de racismo, tanto que publicamos uma nota imediatamente após o ocorrido e tomamos providências internas. Agora buscamos apenas que o recurso seja julgado o quanto antes para que os atletas não sejam prejudicados", disse Bissoli.
Clube pede efeito suspensivo
O Álvares Cabral protocolou um pedido de reconsideração junto ao STJD solicitando efeito suspensivo para a punição até o julgamento definitivo do recurso voluntário. No documento, a defesa argumenta que a suspensão impede a inscrição do clube em competições nacionais previstas para agosto, causando prejuízo a atletas de modalidades como basquete, vôlei, futsal, natação e remo. Também pede prioridade na análise do recurso diante da proximidade dos prazos de inscrição.
O dirigente também contesta a condução do processo disciplinar. Segundo ele, a defesa entende que a condenação ocorreu sem a apresentação de provas materiais que comprovassem as ofensas. Além disso, afirmou que o clube pretende levar o caso também ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) caso a decisão seja mantida.
"Não tem filmagem, não tem prova. Simplesmente colocaram na súmula e aquilo passou a ser tratado como verdade absoluta. Entendemos que houve cerceamento do direito de defesa e estamos recorrendo porque acreditamos que a decisão foi injusta", concluiu Bissoli.