Uma mulher que precisa reconstruir a própria identidade, uma cidade que funciona como personagem e um drama contado nos detalhes. É nesse universo delicado que mergulha Pequenas Criaturas, novo longa da diretora Anne Pinheiro Guimarães, vencedor do Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio 2025.
Antes da estreia nacional, marcada para 23 de julho, a cineasta e parte do elenco conversaram com HZ sobre os bastidores da produção e revelaram curiosidades que ajudam a entender a força da obra.
Entre elas, uma confissão de Carolina Dieckmann chamou atenção. Acostumada a interpretar personagens intensas, a atriz contou que o maior desafio das gravações não foi uma cena dramática, mas algo muito mais cotidiano: aprender a fumar em cena.
Carolina Dieckmann, atriz
Carolina interpreta Helena, uma mulher que se muda com a família para Brasília em 1986. Quando o marido viaja a trabalho e a deixa sozinha na cidade desconhecida, ela passa a enfrentar a solidão, as frustrações e a necessidade de reencontrar sua própria identidade.
A atriz contou que foi justamente esse sofrimento silencioso que a conquistou desde a leitura do roteiro. "Eu sou uma atriz louca por drama. A dor dessa mulher é muito latente, mas ao mesmo tempo ela é silenciosa. Ela engole as coisas, é introspectiva. Isso cria um contraste muito bonito entre uma dor enorme e alguém que não explode."
Segundo Carolina, uma das cenas mais marcantes do filme nem é uma sequência dramática, mas justamente um raro momento de felicidade da personagem. "A cena que mais me toca é quando ela sorri pela primeira vez. É muito bonito ver aquela mulher se iluminar por uma pequena alegria."
Um filme que nasceu da maternidade e da saudade
Embora não seja autobiográfico, Pequenas Criaturas tem forte inspiração na história da diretora Anne Pinheiro Guimarães. A ideia do longa surgiu após o nascimento da primeira filha, quando ela passou a refletir sobre a própria infância e sobre a mãe, já falecida.
Comecei a pensar na maternidade, na vida da minha mãe e no que significou para nós nos mudarmos para Brasília. É um filme muito pessoal
Anne Pinheiro, diretora
Filha de diplomata, Anne viveu na capital federal entre os 8 e os 15 anos, exatamente a idade dos dois irmãos retratados na história. Ela explica que Brasília também exerce um papel central na narrativa. "Brasília é um lugar muito difícil de chegar. Não tem calçada, não favorece os encontros por acaso. O filme também fala sobre encontros e desencontros."
Por que "Pequenas Criaturas"?
O próprio título demorou a surgir. Segundo Anne, ele resume a essência do filme: uma narrativa construída a partir de acontecimentos aparentemente simples, mas que acabam moldando a vida dos personagens.
"É um filme sobre pequenas coisas. Pequenos acontecimentos, pequenos personagens dentro da imensidão de Brasília. Mas são justamente esses momentos que formam quem essas pessoas vão se tornar", contou.
Mergulho nos anos 1980
Quem também precisou fazer uma verdadeira viagem no tempo foi Théo Medon, de 16 anos, intérprete do adolescente André. O ator contou que a produção passou cerca de 40 dias em Brasília durante as filmagens e que a direção de arte, premiada no Festival do Rio, foi fundamental para criar a atmosfera dos anos 1980.
Teve um momento em que eu nem sabia mais o que era Théo e o que era André
Théo Medon, ator
Além dos figurinos e cenários, ele mergulhou nos hábitos da época conversando com integrantes da equipe que viveram a adolescência naquele período. "Aprendi coisas como classificados de jornal, telefone de disco e mobilete", contou, com um sorriso no rosto.
Ao final da entrevista, elenco e diretora deixaram um convite para o público capixaba. "A gente quer que vocês venham, assistam e se emocionem", disse Théo. Anne e Carolina reforçaram que a experiência foi pensada para a tela grande. "É um filme para ser visto no cinema."
Estrelado por Carolina Dieckmann, Pequenas Criaturas reúne ainda Caco Ciocler, Leticia Sabatella, Théo Medon, Lorenzo Mello, Fernando Eiras e Michel Melamed. O longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 23 de julho.
Veja Também