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Dicas do Aquiles

"Sob o Signo do Amor" perpetua o trabalho de Dulce Quental na MPB

Com arranjo de força movida a criatividade pop, “Apenas uma Fantasia” (Dulce Quental) inicia o novo álbum da compositora carioca

Publicado em 05 de Julho de 2022 às 09:00

Publicado em 

05 jul 2022 às 09:00
Aquiles Reis

Colunista

Aquiles Reis

Dulce Quental
Dulce Quental Crédito: Nana Moraes / Divulgação
Com arranjo de força movida a criatividade pop, "Apenas uma Fantasia" (Dulce Quental) inicia o novo álbum da compositora carioca. Nela, sua voz está à vontade para se valer da competência fecunda e técnica dos irmãos Pedro Sá (baixos, guitarras base, wah & solo) e Jonas Sá (coros, MPC, piano Fender Rhodes, sintetizadores Grain Sample Manipulator [Reason], Korg Polysix, Minimoog, Yamaha CS-50 & Arp Oddissey), além de Thiago Nassif (guitarra), que lhes apresentam sucessivas variações rítmicas e harmônicas, até desaguarem num rap que condiz com o vigor do gênero.
“Vaga-lumes Fugidios” (DQ) impressiona com um arranjo de pujança lancinante, cuja levada estimula variações detalhistas com todo tipo de sonoridade, o que dá ao ouvinte a certeza de ouvir inovadora riqueza musical. Desde riffs de guitarra até sons tirados de objetos inusuais, seguidos de uma mudança de andamento que conduz a um intermezzo, em tudo sobressai a pulsação da voz de uma mulher que, mais uma vez, graças a Pedro Sá (baixo & guitarras) e a Jonas Sá (MPC, chocalho, garrafas, pandeirolas, reco-reco, corda de violão, sintetizadores Minimoog & Korg Mono/Poly), além de Jaques Morelenbaum (cellos e arranjo para o instrumento), Mariano González (bandoneón e percussão de bandoneón) e Itamar Assiere (piano), se atira de cabeça às inovações que lhe apontam o futuro de sua música.
“Poeta Assaltante” (DQ) é música que, com versos que pontuam mais a poesia do que o crime, inicia com breve percussão e sons graves, entregando-se para Dulce. Sua voz assume afetuosa beleza, a descrever cenas protagonizadas pelo personagem. Pedro Sá (baixo e guitarras) e Jonas Sá (MPC, órgão Hammond, sintetizador Korg Mono/Poly & Samples) ilustram-nas com sons “imagéticos”. Além da citação de “Alegria, Alegria”, de Caetano, trechos do poema “Washington D.C.”, de George Isso, declamados por Alan Riding, antecedem a parte da letra da música que remete a “Seja marginal, seja herói” (1968), de Hélio Oiticica.
Estas são as três primeiras das nove faixas de "Sob o Signo do Amor" (Cafezinho Edições & Produções Musicais), todas de autoria de Dulce – apenas uma em parceria com Zé Manoel e outra com Arthur Kunz –, num trabalho que a perpetua na música brasileira como uma artista íntegra, genial.
Suas palavras fecham a tampa: “(...) esse encontro dos tempos é muito poderoso quando acontece nas canções. Eu acho que isso aconteceu em Sob o Signo do Amor, que quer dizer 'sob a regência do amor', na confluência das estrelas, debaixo de um céu grego, na sincronicidade de um presente que encontra o passado e seu eterno retorno”.
  • FICHA TÉCNICA:
  • Produzido por Jonas Sá e Pedro Sá
  • Arranjos por Jonas Sá, Pedro Sá e Dulce Quental
  • Edições criativas por Jonas Sá
  • Gravado por Jonas e Pedro no TILT
  • Mixagem: Duda Mello
  • Masterização: Ricardo Garcia
  • Capa: Rodrigo Sommer
  • Foto: Nana Moraes
  • Produção de arte & visage: Rodrigo Bastos
  • Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

Aquiles Reis

Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

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