Para muita gente, ouvir música hoje em dia significa abrir um aplicativo de streaming e escolher uma playlist. Em outros casos, aproveitar um estilo clássico, para além da beleza do disco físico, também significa aproveitar mais a música.
Para o colecionador Bernardo Freitas Fonseca, de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, a experiência começa muito antes de a primeira faixa tocar: passa pela a escolha do disco, a limpeza do vinil, o ajuste da agulha no toca-discos e pelo ritual de apreciar um álbum do início ao fim.
Essa relação com a música acompanha Bernardo desde a infância e, ao longo dos anos, resultou em um acervo de aproximadamente 40 mil discos de vinil. Além de colecionar, ele também promove feiras e festas temáticas, nas quais discoteca exclusivamente com discos e busca aproximar o público, especialmente os mais jovens, desse formato analógico.
Segundo ele, a paixão pelo vinil nasceu dentro de casa.
Meus pais já tinham discos de vinil e aqui sempre existiu esse hábito de escutar música dessa forma. Foi uma paixão que veio da família e que carrego até hoje
Bernardo Freitas Fonseca, colecionador
A coleção começou ainda na infância. Com o passar dos anos, Bernardo percebeu que já conhecia de cor todos os discos que havia em casa e decidiu ampliar o repertório. Hoje, o acervo vai muito além dos clássicos: também reúne trabalhos de artistas contemporâneos, como o cantor Bruno Mars, mostrando que a paixão pela música atravessa diferentes gerações.
"Eu queria ouvir novos sons, novos artistas. O vinil também proporciona descobrir músicas e álbuns que muitas vezes não existem nas plataformas digitais. Tem discos que nunca foram lançados no streaming", contou.
Música e experiência
A coleção acabou abrindo caminho para outra atividade: a discotecagem. Nas feiras que organiza e em festas temáticas, Bernardo utiliza toca-discos para tocar sucessos das décadas de 1960 a 1990 e também lançamentos mais recentes em vinil.
Embora o foco seja sempre o disco, os eventos também costumam reunir outros itens ligados ao universo musical, como CDs, camisetas de bandas, canecas e objetos produzidos a partir de discos antigos.
Hoje existem muitas pessoas que nunca viram um disco de vinil de perto. Quando elas vão a uma feira, conseguem entender como funciona um toca-discos, como era o sistema analógico e conhecer um formato que faz parte da história da música
Bernardo Freitas Fonseca, colecionador
O ritual também faz parte
Uma das principais diferenças entre o vinil e o consumo de música em plataformas está na forma como o público se relaciona com o álbum. Enquanto nas plataformas digitais é comum trocar rapidamente de faixa, o disco convida o ouvinte a dedicar tempo à obra completa.
Bernardo destaca que o processo envolve observar a capa, ler o encarte, acompanhar as letras das músicas e conhecer informações sobre os músicos, produtores e participantes da gravação.
Tem o ritual de limpar o disco, cuidar da agulha, apreciar a capa e escutar o álbum inteiro. Cada etapa desperta uma emoção diferente para quem é colecionador
Bernardo Freitas Fonseca, colecionador
Mesmo após décadas do auge do formato, ele acredita que o vinil continua conquistando novos admiradores e seguirá ocupando espaço entre os apaixonados por música.
O vinil se mantém vivo até hoje e acredito que continuará assim por muito tempo
Bernardo Freitas Fonseca, colecionador
E se alguém tiver interesse em algum item do acervo dele, pode tirar o cavalinho da chuva, pois Bernardo deixa claro que nenhum disco está à venda. Mas, caso alguém queira vender, ele segue disposta a aumentar a coleção.