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Operação Jogo de Peças

PF apreende mais de R$ 100 mil na casa de ex-diretor de hospital no Sul do ES

Dinheiro foi encontrado durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão para investigar suposta fraude na Santa Casa de Guaçuí; hospital diz que não é alvo da ação e que apuração é relacionada a uma empresa fornecedora de equipamentos médicos

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 16:47

Tiago Alencar

Publicado em 

19 jun 2026 às 16:47
Dinheiro apreendido durante a Operação Jogo de Peças envolvendo ex-diretor da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí
Montante de dinheiro apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Jogo de Peças Polícia Federal/Divulgação

Mais de R$ 100 mil em espécie foram apreendidos pela Polícia Federal (PF) na casa de Denis Vaz da Silva Ferreira, ex-diretor da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí, no Sul do Espírito Santo. O montante foi encontrado durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão referentes à Operação Jogo de Peças, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19) para investigar uma suposta fraude ocorrida no hospital.


As informações sobre a identidade do ex-diretor foram confirmadas pela reportagem de A Gazeta. Segundo a investigação, Denis esteve à frente da administração do hospital durante parte do período analisado pelos investigadores, entre 2016 e 2024. A Santa Casa é uma entidade filantrópica com administração própria e não é alvo direto da operação. O hospital utiliza recursos públicos para prestar atendimento, mas sem gestão direta do Executivo estadual ou municipal.  


Denis Vaz da Silva Ferreira foi procurado, mas não retornou os contatos feitos via ligações telefônicas e mensagem de texto até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos. 


Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí afirma que não é alvo da operação realizada pela Polícia Federal. Segundo a instituição, a investigação está relacionada exclusivamente a uma empresa fornecedora de equipamentos médicos e trata de fatos ocorridos entre 2014 e 2019.


A entidade informa ainda que colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando as informações solicitadas durante a ação policial. A direção também diz que todos os serviços seguem funcionando normalmente, sem impacto na assistência aos pacientes.


A Santa Casa declara, por fim, que permanece à disposição da Justiça e da imprensa para prestar os esclarecimentos considerados necessários.


A Polícia Federal não informou a origem do dinheiro encontrado no imóvel nem atribuiu, até o momento, qualquer irregularidade específica aos valores apreendidos. Também não houve mandado de prisão contra Denis. A operação desta sexta-feira (19) teve como foco o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.


Denis Vaz da Silva Ferreira atualmente atua como secretário parlamentar no gabinete do deputado federal Da Vitória. Conforme consulta feita pela reportagem ao Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, ele ocupa a função desde fevereiro deste ano. 


Dados da folha de pagamento de maio de 2026 apontam remuneração bruta de R$ 13.577,28 referente à função comissionada exercida por ele. Após os descontos obrigatórios, o valor líquido recebido foi de R$ 10.088,04, além de R$ 2.926,38 em auxílios.


A investigação da Polícia Federal, no entanto, está relacionada a fatos que teriam ocorrido entre 2016 e 2024, período em que Denis ocupava cargo de direção na Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí. A operação não relaciona o gabinete de Da Vitória nem a atividade parlamentar do deputado a qualquer irregularidade investigada.


Em nota, Da Vitória informa que tomou conhecimento da operação por meio da imprensa. O parlamentar afirma que os fatos investigados não têm qualquer relação com o exercício do mandato e se referem a período anterior à nomeação do servidor para o cargo. Segundo o texto, no momento da nomeação foram observados todos os requisitos legais exigidos para o exercício da função pública.


O deputado também reafirma compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições, defendendo que os fatos sejam apurados com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.

Entenda a investigação

Segundo a Polícia Federal, o suposto esquema teria ocorrido entre 2016 e 2024. A investigação apura se contratos de manutenção de equipamentos hospitalares foram direcionados para benefícios particulares e se parte dos recursos pagos pelos serviços teria retornado a envolvidos na forma de vantagens indevidas.


As suspeitas envolvem contratos firmados pela Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí para manutenção de equipamentos utilizados na unidade hospitalar. De acordo com a PF, licitações e contratações teriam sido manipuladas para favorecer uma empresa do setor.


Os investigadores afirmam ter identificado indícios de que os suspeitos utilizariam o termo "peças" como referência a supostos pagamentos indevidos. A expressão inspirou o nome da operação, batizada de Jogo de Peças.


Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Além das residências, os policiais também estiveram na Santa Casa para recolher documentos, computadores, celulares e outros materiais considerados relevantes para o avanço das apurações. Porém, o hospital não é alvo da investigação.


A Polícia Federal informou que o material apreendido será analisado para aprofundar as apurações e verificar a eventual participação de cada investigado. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre valores que teriam sido desviados nem sobre o possível prejuízo causado à instituição.


Os fatos investigados ainda estão em fase de apuração. Os envolvidos não foram condenados e terão oportunidade de apresentar suas versões e exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo do processo.

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