Previstas para entrarem em vigor no próximo dia 15 de julho, as novas tarifas impostas aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos devem impactar mais de 500 produtos que saem do Espírito Santo. O levantamento foi realizado pelo Observatório da Findes com base nos dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Em junho, o governo de Donald Trump, anunciou a conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, propondo um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil.
A taxação adicional é vista como uma resposta a práticas comerciais consideradas injustas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Atualmente segue em vigor uma tarifa de 10% imposta a quase todos os produtos do mundo que entram nos EUA, inclusive do Brasil.
Nesta semana, estão sendo realizadas audiências públicas sobre o assunto com a participação do setor produtivo em Washington.
Segundo estudo, em 2025, os 500 itens somaram mais de US$ 240 milhões em exportações para o mercado norte-americano, o equivalente a 2,3% do volume da pauta exportadora capixaba e 8,5% das vendas do Estado para os Estados Unidos.
Diante disso, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) manifestou preocupação com os sucessivos anúncios de aumento de tarifas pelo governo dos Estados Unidos.
Para a entidade, as medidas ampliam a insegurança no comércio internacional e reduzem a competitividade dos produtos capixabas no mercado estadunidense. Em 2025, os Estados Unidos foram destino de 27% (US$ 2,8 bilhões) das exportações do Espírito Santo.
“A Findes, em alinhamento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entende que o aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Brasil e Estados Unidos têm cadeias produtivas altamente integradas, nas quais diversos produtos brasileiros são insumos essenciais para a indústria norte-americana”, destaca a entidade.
Impacto nos setores
Na avaliação da Findes, o setor de rochas ornamentais seria o mais afetado. Aproximadamente 28% das exportações capixabas desse segmento para os Estados Unidos seriam impactados. O Espírito Santo é o principal produtor e exportador brasileiro de rochas naturais, o que amplia a relevância dos impactos para a economia estadual.
Caso também seja implementada a tarifa adicional de 12,5% sobre produtos classificados pelo governo norte-americano como relacionados ao uso de trabalho forçado, o impacto alcançaria quase US$ 1,1 bilhão em exportações para os Estados Unidos, levando em consideração dados de 2025, ou 10,3% da pauta exportadora capixaba. Entre eles estão produtos de elevada relevância para o Estado, como outras rochas naturais e minério de ferro, que estavam isentos na lista anterior.
Já na hipótese de adoção simultânea das duas medidas, 508 produtos exportados pelo Espírito Santo estariam sujeitos à tarifa combinada de 37,5% (US$ 240 milhões em exportação). Enquanto 12 produtos, que representam US$ 845,1 milhões em exportações, seriam impactados exclusivamente pela tarifa de 12,5%, por estarem isentos da tarifa adicional de 25%.