Quem disse que um cemitério não pode ser destino turístico? Em Vitória, um passeio guiado pelo Cemitério de Santo Antônio, tem atraído moradores e turistas interessados em conhecer histórias, lendas e personagens que marcaram a trajetória da Capital.
A primeira edição da visita aconteceu no último sábado (20) e reuniu mais de 50 pessoas, inclusive crianças, com todas as vagas esgotadas. Segundo os organizadores do evento, a iniciativa surgiu inspirada em outras capitais que já realizam esse tipo de passeio.
A excursão é conduzida por um historiador e um guia de turismo credenciado, que apresentam o contexto histórico do cemitério, curiosidades sobre os túmulos, personagens importantes da cidade e a importância da preservação da memória.
E antes que os curiosos fiquem com medo de andar entre os mortos, aí vai um recado muito importante: o passeio turístico é realizado durante o dia, para não dar brecha para imaginações.
Segundo a guia de turismo Rute Menezes, a proposta não é falar sobre a morte de forma mórbida, mas mostrar como esses espaços guardam histórias de vida, cultura e identidade de uma sociedade.
Queremos contar a história do local em que vivemos hoje pelas pessoas que construíram tudo isso. E o Cemitério de Santo Antônio foi o escolhido porque reúne elementos que contam a trajetória da Capital
Rute Menezes Guia de turismo
No Brasil e no mundo
A iniciativa foi criada pela empresária responsável pelo projeto após participar de necrotours em outras capitais no fim de 2024. Ao perceber que esse tipo de turismo ainda não era explorado oficialmente no Espírito Santo, decidiu adaptar o formato para a realidade capixaba.
Exemplos conhecidos estão em Paris, na França, no Cemitério Père-Lachaise; em Buenos Aires, Argentina, no Cemitério da Recoleta; em Londres, no Reino Unido, no Cemitério Highgate; nos Estados Unidos, no Arlington National Cemetery, em Washington; e em Viena, na Áustria, no Central Cemetery.
"A ideia, que já existe em outros estados brasileiros, chegou ao Espírito Santo após uma pesquisa para avaliar a possibilidade de trazer a experiência para o estado. Isso é muito importante para a preservação da memória", afirmou a guia de turismo Rute Menezes.
História
Em Vitória, o Cemitério de Santo Antônio foi o escolhido pela relevância histórica para a cidade. Segundo a prefeitura, o bairro Santo Antônio foi escolhido, ainda no final do século XIX, para abrigar cemitérios devido à localização.
O Cemitério de Santo Antônio foi construído no século XIX, com a proibição de enterros em igrejas, mas ganhou mais importância no século XX. Em 1911, foi inaugurado o serviço de bondes elétricos, com duas linhas, uma de Santo Antônio ao Suá, outra que unia a Cidade Alta à Cidade Baixa.
No dia 1º de maio de 1912, foi aberto o Cemitério de Santo Antônio, quando foi feito um enterro com bonde, além de um carro levando o caixão e, outro, os acompanhantes.
Personalidades no local
Entre as pessoas enterradas no local, estão o deputado Darcy Castello de Mendonça, cujo nome foi usado para homenagear uma grande obra de engenharia no Espírito Santo: a Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha.
Além dele, também estão no local o monumento a Henrique Moscoso, que contribuiu com o desenvolvimento do estado e deu nome ao Parque Moscoso, no Centro da Capital.
Outra tradição é relacionada a cigana Adelia Kostik, que morreu em 1955. Até hoje, o túmulo dela recebe visitantes que levam presentes para agradecer por pedidos alcançados. "É, com certeza, o ponto mais visitado do cemitério", destacou a guia de turismo Rute Menezes.
Com informações do g1ES
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