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Carne de cavalo pode ser consumida? Veja detalhes sobre a iguaria

"O problema não é comer a carne de cavalo, mas a forma do abate e da produção. De forma clandestina, até carne de boi é perigosa", explica especialista

Publicado em 14 de Novembro de 2025 às 18:06

Caroline Freitas

Publicado em 

14 nov 2025 às 18:06
Consumo de carne de cavalo é liberado, mas produção precisa ser autorizada no Brasil
Consumo de carne de cavalo é liberado, mas produção precisa ser autorizada Crédito: Pixabay
O termo "consumo de carne de cavalo" geralmente causa estranheza sempre quando é noticiada a descoberta de algum abatedouro clandestino no Espírito Santo. Apesar de parecer algo esquisito para a nossa cultura, é preciso esclarecer alguns pontos sobre a carne de equinos, sobretudo se pode ou não ser consumida no Brasil. 
Em linhas gerais, sim, a carne de cavalo pode ser consumida. O importante a saber é: clandestina é a forma do abate, não o consumo da carne (e isso vale para cavalos, bois e outros animais). Inclusive existem empresas autorizadas à produção da carne equina, mas geralmente optam pela venda ao mercado externo — visto a baixa demanda no Brasil. 

Menos gordura e mais ferro

Se devidamente produzida em local com autorização legal sob regras sanitárias, a carne de cavalo não é apenas segura, mas até mais saudável do que a bovina. "Tem menos gordura e maior teor de ferro", explica Roberto Arruda de Souza Lima, professor da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (USP).
O professor destaca que uma vez produzida, armazenada e comercializada de forma adequada, a carne não faz mal à saúde e é bastante apreciada por quem consome.
O problema não é comer carne de cavalo, mas a forma do abate e da produção. De forma clandestina, até carne de boi é perigosa
Roberto Arruda de Souza Lima - Professor da USP
“A carne de cavalo é iguaria e muito consumida na Europa e no Japão. Muitos embutidos na Europa, por exemplo, têm carne de cavalo, que não precisa de aditivos para dar liga. No Brasil, não é comum o consumo, por isso a maioria da produção interna é exportada", explicou.

Não há empresas autorizadas no ES

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforça que não há no Espírito Santo empreendedores rurais autorizados a produzir carne de equinos. Portanto, se há venda de produção regional ou mesmo abate de animais, é clandestino e irregular — que são os casos noticiados quando abatedouros são encontrados pela polícia em território capixaba.

Não é só questão de autorização

A produção de carne de cavalo no Espírito Santo não é clandestina somente por não haver autorização legal, mas também por muitos dos casos envolver animais que são roubados, abatidos de forma cruel e em locais sem qualquer tipo de higiene, colocando em risco a saúde de consumidores. 

Enganação

Além de todo o problemático processo de produção, muitas vezes a carne é vendida como bovina. "O consumidor tem o direito a informações sobre o que está consumindo, e a portaria SDA nº 744, de 25 de janeiro de 2023, do Ministério da Agricultura e Pecuária, diz que toda e qualquer informação sobre a espécie de origem da carne deve constar de forma clara e destacada no rótulo do produto", destacou o órgão. 
“A carne de cavalo parece com a bovina, o que pode causar essa confusão. Mas quem tem o olho mais crítico, talvez consiga diferenciar pela cor um pouco mais avermelhada”, detalhou o professor Roberto Arruda.

Empresas autorizadas no Brasil

Dados do Ministério da Agriculta e Pecuária mostram que existem cinco estabelecimentos autorizados ao abate de equídeos, grupo que inclui os cavalos (equinos). Eles estão localizados nos Estados da Bahia, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
“O abate de equinos, assim como o das demais espécies de interesse industrial e comercial, deve obedecer rigorosamente aos procedimentos higiênico-sanitários e de bem-estar animal previstos na legislação. É importante destacar que toda carne destinada ao consumo deve provir de estabelecimentos registrados e sob inspeção oficial, o que garante sua origem e inocuidade”, finalizou.

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