Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • Redução de mortes em 2020 não interrompe o ciclo da violência contra a mulher
Opinião da Gazeta

Redução de mortes em 2020 não interrompe o ciclo da violência contra a mulher

No Espírito Santo, 26 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2020, enquanto no ano anterior foram 33. O desafio social em torno dessa violência persiste

Publicado em 01 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

01 fev 2021 às 02:00

Colunista

Violência contra Mulher
Violência contra a mulher: desafio social em torno dessas mortes persiste Crédito: Pixabay
2020, com todos os seus problemas de conhecimento geral, não foi oficialmente o ano mais letal para as mulheres no Espírito Santo, com o feminicídio sendo colocado em foco. Quando se avaliam as mortes incitadas pela violência doméstica e por questões de gênero, 26 mulheres no Estado foram vítimas de seus algozes no último ano, enquanto em 2019 foram 33. Não há o que se celebrar com essa queda. O desafio social em torno dessas mortes persiste, tornando cada vez mais necessárias ações integradas do poder público que conciliem punição rigorosa e conscientização.
É possível afirmar que a violência doméstica e as agressões sofridas em função da condição feminina vêm ocupando um posição central no debate público nacional, o que é incondicionalmente importante para a transformação cultural que extermine qualquer forma de opressão pela raiz.
Este jornal é um exemplo, ao encampar o projeto Todas Elas, que não é somente um espaço de denúncia, mas de reflexão sobre o papel da mulher em sociedade. Na esfera pública local, há ações importantes de conscientização e de encurtamento de caminhos jurídicos para que qualquer mulher sob ameaça consiga romper o silêncio. Mas, ao mesmo tempo que novas iniciativas surgem, o ciclo da violência ainda parece intacto.
O ano pandêmico teve suas peculiaridades, em função do isolamento social. A convivência maior, e forçada em muitos casos, acentuou a vulnerabilidade feminina, o que provocou uma mobilização pública para permitir que mulheres fizessem denúncias dentro desse ambiente hostil. Mesmo assim, acredita-se na subnotificação, com o medo do desamparo falando mais alto do que a necessidade de se fazer justiça.
A Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), criada quase há três anos, tem cumprido um papel importante de coordenação das ações das delegacias especializadas nesses crimes. Em 2020, foram encarcerados 1.989 homens suspeitos de praticarem violência contra a mulher, o que inclui prisões em flagrante e mandados de prisão. Foram instaurados 6.244 inquéritos policiais, sendo 6.138 concluídos e relatados. E 8.030 medidas protetivas foram solicitadas à Justiça.
Essa etapa da denúncia pode salvar vidas, mas é preciso que se faça cumprir. Em 2020, foram registrados 14 mil boletins de ocorrência por agressões contra mulheres. No caso da adolescente Carolina, morta em setembro pelo ex-namorado em Vitória, a família havia registrado oito boletins antes da consumação do feminicídio. A proteção das ameaças, com o afastamento efetivo dos agressores, é muitas vezes a única forma de se evitar o pior. Mas a história de mulheres que acabam mortas após uma sequência de denúncias se repete com uma frequência inaceitável.
A violência contra a mulher não é um fenômeno restrito a determinadas classes sociais, ela se espalha por todos os setores da sociedade. O machismo ainda impregna as relações, sobretudo no âmbito privado. Mas já foi o tempo em que brigas domésticas eram encaradas como um problema particular, como dizia o velho ditado. Qualquer relacionamento movido pela violência é um problema social, que deve ser combatido com políticas públicas enérgicas. Ninguém pode fechar os olhos e os ouvidos para essa triste realidade.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado pelo feminicídio de sua esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício
Júri de acusado de matar professora em Vitória pode durar uma semana
Parmegiana do Pecorino de Vila Velha
Famoso pela parmegiana, restaurante fecha após 16 anos em Vila Velha
Sessão plenária do STF
Distribuição dos royalties: STF só deve voltar ao assunto após as eleições

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados