Com um aumento de arrecadação no primeiro quadrimestre de 2026, o Espírito Santo alcançou o maior volume de investimentos públicos para o período nos últimos dez anos, segundo dados da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo, divulgados nesta segunda-feira.
A receita total alcançou R$ 11,2 bilhões, um crescimento nominal de 23,5% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. Segundo a Secretaria da Fazenda, a expansão das receitas ficou acima do crescimento das despesas, o que contribuiu para a manutenção do equilíbrio das contas públicas e na capacidade de realizar obras.
As despesas empenhadas em investimentos somaram R$ 2,2 bilhões, o equivalente a 8% do que entrou nos cofres públicos.
Os resultados de janeiro a abril de 2026 foram apresentados pelo secretário de Estado da Fazenda, o auditor fiscal Benicio Costa, em audiência pública na Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A arrecadação do principal imposto estadual, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços(ICMS), teve alta nominal de 12,9% no período, impulsionado principalmente pelos setores de comércio, que registrou aumento de 20,1%, e de energia elétrica, com avanço de 23,1%.
As receitas provenientes de royalties e da Participação Especial do petróleo também cresceram. A arrecadação aumentou 56,8% em relação aos quatro primeiros meses de 2025, desempenho atribuído à valorização do petróleo tipo Brent no mercado internacional, em meio ao conflito no Oriente Médio.
Capacidade de investir
A poupança corrente, indicador que mede a capacidade de o Estado gerar recursos para financiar investimentos com receitas próprias, atingiu 31,5% da receita corrente líquida.
Segundo os dados apresentados pela Secretaria da Fazenda, as metas fiscais previstas para o período também foram superadas. O resultado primário, que representa a diferença entre receitas e despesas primárias, foi de R$ 712 milhões. Já o resultado orçamentário, calculado pela diferença entre a receita total e a despesa total liquidada, alcançou R$ 2,5 bilhões.
Enquanto a arrecadação avançou, as despesas pagas por todos os Poderes cresceram 9,2% no período, percentual inferior ao registrado pelas receitas.
Outro indicador apresentado foi o da Dívida Consolidada Líquida, que fechou abril em -53,5% da Receita Corrente Líquida (RCL). O índice negativo significa que a disponibilidade financeira do Estado supera o valor do seu endividamento consolidado. Hoje o limite previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é de até 200%.