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Gestão patrimonial

Quando o empresário muda de profissão sem perceber

Depois de construir uma empresa de sucesso, muitos empreendedores passam a enfrentar outro desafio: preservar e organizar o patrimônio acumulado

Publicado em 03 de Julho de 2026 às 08:11

Públicado em 

03 jul 2026 às 08:11
Leonardo Pastore

Colunista

Leonardo Pastore

Por mais de três décadas, ele tomou muitas decisões difíceis. Assumiu dívidas, enfrentou crises, negociou com fornecedores e grandes bancos. Teve bens penhorados por questões trabalhistas. Mas venceu. Sua capacidade de resolver problemas o ajudou a construir uma empresa sólida e um patrimônio relevante. É a história de um empresário que inspira este texto.


Porém, as habilidades pessoais que lhe permitiram ter sucesso no ramo empresarial não eram suficientes para gerir um patrimônio que já não era mais apenas sua própria empresa. Seu negócio cresceu e sua riqueza passou a exigir um olhar para além da própria operação: o desafio passou a incluir temas como concentração patrimonial, tributação de seus lucros, sucessão em vida e proteção jurídica do patrimônio construído.

À medida que o patrimônio cresce, o empresário passa a enfrentar desafios que vão além da gestão do próprio negócio
À medida que o patrimônio cresce, o empresário passa a enfrentar desafios que vão além da gestão do próprio negócio Magnific

Há um momento em que muitos empresários mudam de profissão sem trocar de empresa e, às vezes, nem percebem. Continuam empresários, mas com outra função: a de administrar patrimônio. Olhando de fora, parece a mesma coisa, mas não é. Um dos principais desafios nessa transição é que o patrimônio mudou de escala, mas a forma de decidir ainda não. E isso pode explicar por que algumas pessoas têm mais facilidade para criar riqueza do que para preservá-la em alguma fase da vida.


Patrimônios complexos exigem ferramentas e decisões distintas daquelas de quem ainda está construindo o primeiro negócio. Na prática, essa mudança começa quando o empresário tem reflexões diferentes das que o fizeram construir sua trajetória empresarial. O foco se amplia do acompanhamento das vendas e dos resultados para outras análises, que passam a ser igualmente importantes, como:


• Quanto do patrimônio familiar depende do fluxo financeiro da própria empresa?


• O patrimônio está protegido contra riscos locais ou está totalmente sujeito à regulação nacional?


• Há liquidez suficiente para enfrentar imprevistos sem que seja necessário se desfazer de ativos estratégicos?


• Na ausência do fundador, a família conhece e está preparada para administrar o patrimônio?


São perguntas simples, mas muitas pessoas não conseguem responder a elas de imediato.

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O patrimônio está pronto. E a família?

Empresas maduras e consolidadas criam conselhos para melhorar a qualidade de suas decisões. Patrimônios relevantes também precisam de reflexão estratégica, ainda que de modo menos formal. Um exercício interessante pode ser reservar um tempo para deixar de pensar nos negócios e se concentrar na análise do patrimônio como um todo. Não para escolher um novo investimento, mas para identificar vulnerabilidades que o operacional do dia a dia possa esconder sem que você perceba.


Atribui-se a Nathan Mayer Rothschild, fundador da dinastia bancária Rothschild, uma frase que sintetiza a ideia: “É preciso muita ousadia para fazer uma grande fortuna e dez vezes mais inteligência para conservá-la”. O sucesso cria novos desafios. A competência para chegar até determinado nível patrimonial não garante sua preservação em todos os cenários e por gerações. Se a riqueza nasce de boas decisões empresariais, sua preservação depende de boas decisões patrimoniais.

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Leonardo Pastore

Assessor de Investimentos da Valor. Mestre em Direito e Procurador do Estado do Espirito Santo. Professor de Etica na pos-graduacao da ESPGE

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