Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Planejamento patrimonial

O patrimônio está pronto. E a família?

Patrimônios podem sobreviver por gerações. Famílias nem sempre

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 11:33

Públicado em 

19 jun 2026 às 11:33
Leonardo Pastore

Colunista

Leonardo Pastore

Um empresário bem-sucedido me procurou. Seus negócios iam bem. Sua queixa não era a rentabilidade de seus investimentos, mas o desinteresse dos filhos em se envolver nos negócios do pai. “Já nasceram ricos e nunca colocam o pé na empresa”, disse ele.


Patrimônios relevantes já chegaram ao fim não por crises econômicas ou pelo peso dos impostos, mas por assuntos familiares. Um artigo do CFA Institute, baseado num estudo da consultoria americana Williams Group, que acompanhou mais de 3 mil famílias ao longo de 20 anos, afirma que 70% delas perdem o patrimônio até a segunda geração e 90%, até a terceira. Mais revelador ainda: 60% desses fracassos teriam origem em rupturas de confiança familiar e apenas 15% em questões legais ou de má gestão financeira.

Sucessão familiar: o desafio que ameaça patrimônios construídos por décadas
Sucessão familiar: o desafio que ameaça patrimônios construídos por décadas Imagem meramente ilustrativa gerada pelo ChatGPT

Mas, quando se fala em proteção de patrimônio, muitos creem que investimentos financeiros, imóveis e planejamento tributário são a chave para que esse objetivo seja alcançado. De tempos em tempos, surgem produtos “da moda” que são vendidos como solução para esse tema, porém pouco se fala sobre as relações familiares que estão na base da equação.


E aí entra a frase dita pelo cliente. Para ele, o fato de os filhos terem nascido “ricos” tirava deles o empenho que ele, o fundador, sempre teve em torno de seus negócios. Se seu patrimônio será herdado pelos filhos, suas habilidades enquanto patriarca da família não estão sendo absorvidas pela segunda geração.


Muitas pessoas não poupam esforços para construir patrimônio, mas, paradoxalmente, não dedicam o mesmo tempo e energia para preparar aqueles que um dia cuidarão desse mesmo patrimônio. Convivência, exemplo e formação não se transmitem por contratos em vida, muito menos por inventários judiciais. O resto, sim. 


E nisso reside um dos principais desafios para algumas famílias: transmitir mais que bens materiais para seus herdeiros, como visão, coragem e capacidade de assumir riscos e suportar perdas, características típicas do perfil de fundadores.


Em outras palavras, se construir riqueza é prova de habilidade econômica, perpetuá-la é um desafio humano e familiar, que envolve a transformação do patrimônio de um agregado financeiro em um conjunto de propósito e valores. Famílias que conseguem transmiti-los estão administrando mais que ativos e dinheiro: estão cultivando relacionamentos que combinam afeto e eficiência patrimonial.


Terminada a conversa com o cliente, ele disse: “Não é sobre o quanto vale meu patrimônio hoje ou quanto vou deixar, mas sim como estou preparando quem vai cuidar dele”. Fiquei satisfeito por ele ter entendido que, ao contrário da matemática, na equação patrimonial, a ordem dos fatores influencia o resultado.

Leia mais artigos de Leonardo Pastore

Por que a inflação dos mais ricos pode ser maior que a oficial

Quando Brasília mexe no seu bolso

O que a rejeição de Jorge Messias para o STF tem a ver com o seu dinheiro

O mercado não é seu amigo: quem ganha antes de você com seus investimentos

CDI não é tudo: como definir seu próprio benchmark

O STF e o ITBI nas holdings: o desfecho se aproxima

Leonardo Pastore

Assessor de Investimentos da Valor. Mestre em Direito e Procurador do Estado do Espirito Santo. Professor de Etica na pos-graduacao da ESPGE

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ônibus quebra e passageiros se arriscam para desembarcar na Terceira Ponte
Passageiros se arriscam na Terceira Ponte após pane em ônibus
Pela primeira vez, uma mulher assume a superintendência do Sebrae/ES
Imagem de destaque
Vai pintar a pele para a Copa do Mundo? Saiba como utilizar tintas com segurança

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados