A exploração de petróleo e a localização geográfica do Espírito Santo conferem destaque ao Aeroporto de Vitória, entre os 13 que o governo pretende conceder ao setor privado ainda neste ano. Também soma pontos para o terminal capixaba o fato de ser superavitário.
Já estão abertas para consulta pública o estudo de viabilidade e a minuta do edital. Sugestões podem ser enviadas à Agência Nacional de Aviação (Anac) até o dia 13 de julho. O leilão está previsto para novembro. O valor mínimo inicial para o Eurico Salles será de R$ 622 milhões, por um contrato de 30 anos.
Com o mote de contribuir para o crescimento do PIB, o programa de concessão de infraestrutura lançado por Temer em setembro de 2016 enfrenta obstáculos e caminha devagar. A seis meses do fim do mandato, menos da metade, ou seja, apenas 74 do total de 175 empreendimentos foram a leilão. Em 17 aeroportos, a concessão só levantou voo em quatro.
Também até agora não saíram do papel as transferências de rodovias e ferrovias, que têm grande potencial de geração de emprego em curto prazo. Há questionamentos de órgãos de controle e desconfiança de empresas. Outro grande entrave tem sido a crise política, gerando incertezas que inibem investimentos.
É provável que a maioria das concessões planejadas por Temer seja empurrada para o próximo presidente. Mas algumas podem decolar logo. A modelagem de cada leilão será decisiva e definirá a atratividade da oferta.
A gestão empresarial deve pressupor que o Aeroporto de Vitória manterá padrões de modernidade e competitividade compatíveis com a demanda. Mas isso precisa ser garantido com clareza pelas regras de concessão e pela fiscalização do setor público. O Estado já viveu dor de cabeça pós-concessão, com a BR 101. Evidentemente, não deseja novos transtornos.