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Ferido com facadas ao entregar pizza no ES, jovem aguarda por Justiça

O motivo da tentativa de homicídio, segundo denúncia do MPES, foi o atraso na entrega do produto; julgamento foi adiado para julho de 2025

Publicado em 03 de Dezembro de 2024 às 03:35

Públicado em 

03 dez 2024 às 03:35
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Facadas e pizza
Crédito: Arte - Camilly Napoleão
Era março de 2020. Por volta das 23 horas,  o motoboy Wesley Mendes dos Santos chegou a um prédio na Praia de Itaparica, em Vila Velha, para entregar uma pizza. Mas foi surpreendido com agressões e golpes de um objeto semelhante a um canivete, que partiram do cliente. O jovem conseguiu fugir e chegar à sua empresa, onde foi socorrido. “Mais alguns minutos, segundo o médico, e eu não teria sobrevivido”, relata.
Desde que os fatos ocorreram, ele aguarda por Justiça. O agressor, Rhuan Carlos Schmid, foi denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por tentativa de homicídio. Em março deste ano ele foi pronunciado — decisão que o encaminha para o Tribunal do Júri —, pelo juízo da 4ª Vara Criminal de Vila Velha.
O julgamento chegou a ser marcado para o último dia 27, mas acabou sendo adiado com o ingresso no processo de uma nova advogada. Uma outra data foi marcada, desta vez para o dia 24 de julho do próximo ano.
“Há quase cinco anos aguardo por Justiça. Levei oito meses para conseguir voltar ao trabalho, enquanto o agressor respondia ao processo em liberdade. Só eu sei o que é sentir a ânsia da morte. Espero que não haja novos adiamentos”, relatou Wesley, que hoje trabalha como repositor em um supermercado.

Motivo das agressões

O motivo das agressões, relata a denúncia, foi a demora na entrega da pizza. Segundo Wesley, era um período de muitas demandas e a rota definida para ele contemplava vários pedidos, o que fez com que chegasse além do horário esperado pelo cliente.
É relatado pelo MPES que Rhuan já desceu exaltado do apartamento, localizado no 9º andar, “munido de instrumento perfurocortante (faca/canivete)”.
“O crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, pois esta foi atacada de surpresa, vez que estava em serviço, não podendo supor que, ao realizar a entrega da pizza, seria recebida de forma violenta, por cliente que fora ao seu encontro intencionalmente armado”, foi informado à Justiça.
Segundo as investigações iniciais do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no momento que o pedido foi feito, chovia bastante na região e por esse motivo a entrega demorou mais do que o previsto.
Duas semanas antes o mundo havia descoberto a pandemia de covid-19. A orientação geral era que todos ficassem em suas casas.
Wesley relata que conseguiu resgatar sua moto e pilotar até a empresa. “Lá meu patrão me colocou em um carro e me levou para e Pronto-Atendimento (PA) da Glória. Foi muito rápido, o que me salvou”. Posteriormente ele foi transferido para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência, o antigo São Lucas, em Vitória, onde ficou sete dias internado.
O caso teve repercussão e revoltou colegas de trabalho de Wesley. Motoboys fizeram um protesto na frente do prédio. A porta de vidro do edifício onde o crime aconteceu, foi quebrada. O mesmo ocorreu com uma loja pertencente a Rhuan.

O que diz a defesa

Por nota, a defesa de Rhuan, relizada pela advogada Priscila Benichio da Penha Barreiros,  informa que as agressões não foram iniciadas pelo seu cliente. “Além de empurrado, ele tentou se desvencilhar e sair do foco da confusão, tendo sido imediatamente perseguido e derrubado pela suposta vítima com um golpe mata-leão, que passou a lhe desferir diversos golpes”.
E acrescenta: “Na sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri será possível demonstrar, por meio da inquirição de testemunhas e do interrogatório, que não restava outra alternativa ao nosso constituinte a não ser a autodefesa para a proteção de sua vida, uma vez que pelos golpes sofridos precisou ser hospitalizado em virtude de diversas lesões, como a fratura de mandíbula”.

Atualização

03/12/2024 - 9:49
Após a publicação da coluna, a defesa de Rhuan enviou uma manifestação. O texto foi atualizado.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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