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Filho de princesa da Noruega é condenado à prisão por dois estupros

Marius Borg Høiby, filho de 29 anos da princesa herdeira da Noruega, foi considerado culpado de duas acusações de estupro e condenado a quatro anos de prisão.

Publicado em 15 de Junho de 2026 às 08:35

BBC News Brasil

Publicado em 

15 jun 2026 às 08:35
Imagem BBC Brasil
Marius Borg Høiby é filho da princesa herdeira Mette-Marit, mas não é membro da família real Crédito: LISE ASERUD/NTB/AFP
Marius Borg Høiby, filho de 29 anos da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, foi considerado culpado de duas acusações de estupro e condenado a quatro anos de prisão.
Três juízes do Tribunal Distrital de Oslo o absolveram de outras duas acusações de estupro, mas o consideraram culpado de outros crimes.
Høiby não estava no tribunal para receber o veredito por motivos de saúde não especificados, mas participou da sessão por meio de ligação de vídeo.
Os promotores haviam pedido que Høiby fosse condenado a sete anos e sete meses de prisão. Seus advogados de defesa haviam solicitado uma pena menor, de 18 meses, e podem recorrer do veredito.
Embora Marius Borg Høiby não seja, ele próprio, membro da realeza, o julgamento acabou lançando uma sombra sobre a família real como um todo. Sua mãe se casou com o príncipe herdeiro Haakon quando Marius tinha quatro anos, e, desde então, ele foi criado dentro da família.
Mette-Marit está muito doente com uma forma de fibrose pulmonar e recentemente foi colocada na lista para transplante de pulmão.
Os advogados de seu filho têm repetidamente solicitado sua libertação da prisão para que ele possa passar tempo com a mãe devido ao agravamento do estado de saúde dela.
Após o veredito, o advogado de defesa de Høiby, Petar Sekulic, voltou a pedir a sua libertação. Embora o Tribunal Distrital de Oslo tenha inicialmente concedido o pedido na semana passada, a decisão foi anulada pela Suprema Corte.
Høiby havia negado todas as quatro acusações de estupro, mas os juízes o condenaram por estuprar duas mulheres, incluindo uma na propriedade do príncipe herdeiro em Skaugum, em 2018, e outra envolvendo uma mulher em Oslo, em 2024.
Ele também foi condenado por abusar de uma ex-namorada, a influenciadora norueguesa Nora Haukland, e por causar lesões corporais graves a outra parceira, em cujo apartamento ele foi preso na área nobre de Frogner, em Oslo, em agosto de 2024.
No entanto, ele foi absolvido de dois outros estupros, envolvendo uma mulher que conheceu em um hotel em Oslo em novembro de 2024 e outra que conheceu quando esteve de férias nas ilhas Lofoten em 2023.

Crise na família real

O processo contra Høiby envolveu seis mulheres, mas apenas uma delas compareceu ao tribunal para ouvir o veredito. Ela foi vista chorando quando saiu a condenação de Høiby.
Os promotores disseram que ela estava incapacitada ou dormindo quando foi estuprada após uma festa em Oslo, em março de 2024, depois de terem mantido relações consensuais.
O caso baseou-se em vídeos filmados por Høiby na época. Ao prestar depoimento em fevereiro, a mulher disse ao tribunal que estava dormindo e nunca teria permitido que aquilo acontecesse.
O tribunal concordou que a vítima não tinha capacidade de resistir ao que havia acontecido.
Todas as quatro acusações de estupro envolveram mulheres que estavam dormindo ou incapacitadas no momento.
Høiby também foi condenado por vários delitos, incluindo abuso e comportamento imprudente contra a sexta mulher no caso, que ficou conhecida como a "mulher de Frogner" por causa da área de Oslo onde vivia.
O tribunal decidiu que ele deve pagar um total de 640 mil coroas norueguesas (R$ 340 mil) em indenização a quatro das mulheres, incluindo Nora Haukland, a única mulher que os juízes determinaram que poderia ser identificada publicamente no caso.
Os advogados de defesa de Høiby terão agora de decidir se irão recorrer da pena de quatro anos de prisão, que é superior aos 18 meses sugeridos pela defesa, devido às acusações menos graves que Høiby admitiu, incluindo posse de drogas e infrações de trânsito.
Não se sabe se o príncipe herdeiro e a princesa herdeira da Noruega comentarão o veredito, mas eles já deixaram claro que não farão mais comentários sobre o agravamento da saúde de Mette-Marit até que ela passe por um transplante de pulmão.
"Não há dúvida de que este caso afetou a forma como as pessoas percebem a família real", diz Caroline Vagle, jornalista que cobre realeza norueguesa para a revista Se og Hør.
A crise foi agravada por revelações na véspera do julgamento de que a princesa herdeira havia mantido uma amizade de três anos com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Mas Vagle acredita que o clima agora é completamente diferente: "A saúde dela é a principal preocupação agora — e isso supera todo o resto."
Peggy Simcic Brønn, especialista em reputação e relações públicas e professora da BI Norwegian Business School, acredita que a família real está no meio de uma crise institucional.
"O caso Høiby é uma tragédia e uma crise para qualquer família. A forma de lidar com isso é permitir que a pessoa seja julgada e cumpra sua pena, enquanto a família tenta reparar o dano causado — tanto à própria reputação quanto ao impacto sobre a casa real", diz.

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