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Vilmara Fernandes

De advogada a ré em menos de 24 horas por crime de tráfico no ES

Ela é acusada de intermediar informações do presídio para a execução de um traficante; defesa da advogada afirma que ela é inocente

Publicado em 12 de Junho de 2026 às 11:10

Públicado em 

12 jun 2026 às 11:10
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Advogada ordem matar
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

Um dia após atuar na defesa de um dos condenados pelas tentativas de homicídio contra nove pessoas em tiroteio na Avenida Leitão da Silva, a advogada Bianca Campelo volta ao Tribunal de Júri de Vitória, mas desta vez como ré. Ela é acusada, junto a outras seis pessoas, pela morte de um traficante.


Nesta sexta-feira (12), ela vai ser ouvida na audiência de instrução e julgamento, uma das etapas que antecedem a decisão do magistrado sobre pronúncia, ou seja, enviar ou não a advogada para o júri popular.


O crime


Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Bianca teria intermediado a ordem para executar um traficante rival. A mensagem, entregue dias antes do assassinato partiu de uma liderança criminosa que estava detida e foi direcionada a integrantes do mesmo grupo que cumpriam pena em liberdade.


O crime aconteceu em 18 de abril de 2024, no bairro Santo Antônio, na Capital, onde Arthur Santos Gomes foi morto com diversos disparos de arma de fogo em frente a um bar. A motivação do assassinato decorreu do fato de a vítima, que integrava o grupo de tráfico de drogas do Morro do Cabral, ter rompido com a organização para se juntar a uma facção rival atuante no Morro dos Alagoanos. 


De acordo com o MPES, após receber o comunicado que teria sido enviado por Bianca, o grupo do Morro do Cabral articulou a execução, que ocorreu no momento em que a vítima visitava a namorada em Santo Antônio.


Antes do homicídio, os criminosos tiraram uma foto de Arthur e a encaminharam para o líder confirmar a identidade. A resposta veio com um gesto de “positivo”. Em seguida, ele foi levado para uma rua e alvejado por diversos disparos de armas de uso restrito.


O Ministério Público apontou ainda que o crime foi cometido por meio cruel. “Tendo em vista que a sua forma de execução causou sofrimento excessivo à vítima. No mais, o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que os denunciados, em superioridade numérica, surpreenderam a vítima desarmada, a subjugaram, sem que esta tivesse qualquer chance de defesa ou reação”, diz o texto ministerial.


O que diz a defesa


A defesa de Bianca é realizada pelo advogado Augusto Martins Siqueira dos Santos. Ao ser procurado pela coluna, ele informou que tem plena e absoluta certeza da não participação de sua cliente nos atos criminosos atribuídos a ela.


Em relação a audiência de instrução e julgamento desta sexta-feira (12), onde Bianca será ouvida, a defesa informou que “confia plenamente na responsabilidade e lisura da atuação do Ministério Público, este que atua sempre de forma justa, profissional e independente, respeitando as provas do processo”.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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