Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crítica

"Mistério em Paris", da Netflix, diverte com charme de "gente como a gente"

Em continuação do sucesso "Mistério no Mediterrâneo", da Netflix, Adam Sandler e Jennifer Aniston acabam envolvidos em um novo crime

Publicado em 31 de Março de 2023 às 04:01

Públicado em 

31 mar 2023 às 04:01
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Filme "Mistério em Paris", da Netflix Crédito: Scott Yamano/Netflix
Três dias após ser lançado pela Netflix, “Mistério no Mediterrâneo” já havia sido assistido por quase 31 milhões de pessoas mundo afora. Goste ou não, Adam Sandler é um sucesso e parece ter encontrado no streaming um ambiente favorável a seus filmes, pois qualquer um em busca de uma comédia leve e sem grandes conflitos chega aos trabalhos de Sandler com pouquíssimos cliques na Netflix.
A baixa expectativa é tão latente que criou-se até conversa de Oscar para “Arremessando Alto”, um filme “diferente” e um pouco acima da média (para o ator). Fato é que, como produtor, Sandler tem seu público justamente por não ousar ou se arriscar; é na segurança e no charme de um cara comum que o ator tem seu nicho e gera identificação.
“Mistério no Mediterrâneo” é exatamente isso, um filme com um protagonista comum, um policial incapaz de se tornar detetive, casado com uma cabeleireira e com um casamento desgastado. Juntos, eles são colocados no meio de uma trama de muito luxo e assassinato na Europa e nunca são brilhantes em nada - é no lugar de pessoas como eu e você, com observações cotidianas que não fazem parte do universo bilionário do filme, que os personagens de Adam Sandler e Jennifer Aniston salvam o dia.
“Mistério em Paris”, continuação do sucesso de 2019, segue a mesma fórmula. Novamente dirigidos por Kyle Newacheck a partir do roteiro de James Vanderbilt, Sandler e Aniston voltam a viver Nick e Audrey em uma nova aventura que os tira do lugar comum. O filme tem início explicando o que aconteceu com o casal após o filme anterior - como desvendaram um assassinato, acharam que seria uma boa ideia abrir uma agência de detetives, mas o negócio não vai bem.
Filme
Filme "Mistério em Paris", da Netflix Crédito: Scott Yamano/Netflix
Quando são convidados para o casamento do velho amigo Marajá (Adeel Akhtar) com a linda Claudette (Mélanie Laurent), eles partem novamente para a Europa e reencontram personagens como o Coronel Ulanga (John Kani) e o inspetor Delacroix (Dany Boon), além, claro, de várias novas caras. Durante a festa, porém, as coisas saem do controle e o noivo acaba sequestrado, colocando Nick e Audrey novamente em meio à investigação de um misterioso crime com vários possíveis suspeitos.
Com 80 minutos de duração, “Mistério em Paris” não perde tempo com apresentações e é muito mais enxuto que seu antecessor, impedindo que o filme se repita com frequência, um dos erros do anterior. Isso, no entanto, não impede que o novo filme opte sempre pelo caminho mais seguro e siga a mesma estrutura do primeiro filme da série.
Filme
Filme "Mistério em Paris", da Netflix Crédito: Scott Yamano/Netflix
O roteiro não tem vergonha de forçar a barra para colocar o casal de protagonistas novamente como suspeitos do crime central da trama, mesmo que isso não faça sentido algum. O texto tem seus melhores momentos quando brinca com os clichês das histórias de detetives - o maior detetive do mundo, vivido no filme por Mark Strong, aparece repentinamente, saindo da água, ao melhor estilo “De Férias com o Ex” para assumir o caso.
“Mistério em Paris” até funciona como um filme independente, mas só será aproveitado na íntegra por quem assistiu ao filme anterior. Principalmente na dinâmica entre Adam Sandler e Jennifer Aniston, há algumas boas piadas e situações que remetem ao primeiro filme e talvez façam pouco sentido para que não viu “Mistério no Mediterrâneo”.
Filme
Filme "Mistério em Paris", da Netflix Crédito: Scott Yamano/Netflix
Sandler e Aniston são bons como um casal tipicamente americano, pessoas que não fazem ideia de como é a vida fora da bolha dos EUA e se complicam com diferenças culturais óbvias para a maioria do mundo. É novamente com essa característica de “gente como a gente” que Sandler faz valer seu carisma, dialogando com um público que o entende e que se identifica com ele. Aniston, talvez por seus anos de "Friends", também tem uma identificação facilitada com o público, principalmente quando Audrey reclama do comportamento do marido.
Em uma carreira longa e irregular como a de Adam Sandler, “Mistério em Paris” passa longe de ser ruim como “Cada Um Tem a Gêmea que Merece” (2011) ou bom como “Embriagado de Amor” (2002), mas tampouco tem o carisma de “Como Se Fosse a Primeira Vez” (2004). Fosse lançado nos cinemas, teria recepção morna de crítica e boa bilheteria, padrão na carreira de Sandler, mas se manteria em um nicho. Com o alcance da Netflix, Adam Sandler reforça seu papel de estrela global, mas não uma estrela inalcançável, e sim um sujeito que vai de moletom para a glamourosa estreia do próprio filme, como se fosse “um dos nossos” que venceu na vida.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
O país vizinho do Brasil onde empregados passaram a trabalhar menos e a ganhar mais (com desemprego na mínima histórica)
Imagem de destaque
Eduardo Bolsonaro condenado: como a imprensa internacional noticiou a decisão do STF
Vitrine
Trade Dress: você sabe o que é e por que vale proteger na sua empresa?

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados