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Coleta de dados

Os 150 anos de história do censo demográfico no Brasil

Entre 1872 e 2022, contagens populacionais proporcionaram retratos detalhados sobre as características demográficas, que são essenciais para o planejamento e a tomada de decisão de diversas instâncias

Publicado em 01 de Novembro de 2023 às 00:30

Públicado em 

01 nov 2023 às 00:30
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

A primeira contagem populacional brasileira ocorreu em 1872, no período imperial. De 1890 em diante, o censo passou a ser realizado de forma decenal, na época da República. Com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1936, a coordenação do censo deixou de ser do Departamento Nacional de Estatística (DNE) e passou a ser de responsabilidade da instituição então constituída.
Muita coisa mudou da primeira contagem da população até o censo de 2022. Saímos de 9,9 milhões de habitantes e chegamos hoje a mais de 203 milhões de pessoas residentes no Brasil. O país avançou na transição demográfica, passou no último século pelo processo de industrialização-urbanização, reduziu significativamente a taxa de fecundidade e viu surgir novos arranjos familiares.
Ao mesmo tempo que essas transformações aconteciam, as metodologias de coleta de dados, processamento e divulgação das informações do censo foram se modernizando e aprimorando. Entre a primeira contagem populacional e o último censo se passaram 150 anos. Especialmente nas últimas três décadas, os censos incorporaram os avanços proporcionados pela revolução tecnológica. O IBGE evoluiu de uma contagem analógica para um censo cada vez mais digital e com processamento em tempo real.
Em 1991, o IBGE utilizou amplamente as pranchetas e formulários em papel para coletar os dados. O processamento desses demandava meses e anos para que as informações fossem divulgadas. Em 2000, os microcomputadores e a internet se popularizaram no país. Mesmo assim, a internet, ainda discada, não era amplamente acessível à população, o que dificultava a disponibilização dos resultados do censo. A divulgação dessas informações também se deu por meio de CDs, mídias físicas.
No ano de 2010, o IBGE incorporou a utilização de dispositivos eletrônicos, com touch screen, para coletar os dados. As pranchetas e formulários em papel passaram a ser substituídos, salvo nas regiões que apresentavam problemas de acessibilidade das telecomunicações móveis. A internet banda larga já era uma realidade em parte considerável dos domicílios brasileiros, isso contribuiu para a publicação das informações no site do IBGE, após mais de um ano do início da coleta dos dados.
Em que pese os adiamentos, a contagem de 2022 pode ser caracterizada como o censo brasileiro mais digital e moderno da História. Os dispositivos eletrônicos de coleta foram aprimorados e os dados foram processados em tempo real. A divulgação dos primeiros resultados demandou alguns meses. As informações mais detalhadas estão sendo publicadas na página do IBGE na internet com transparência e amplo acesso para a população.
Entre 1872 e 2022, o Brasil acumula 150 anos de contagens populacionais que proporcionaram retratos detalhados sobre as características demográficas, que são essenciais para o planejamento e a tomada de decisão por parte da administração pública nos níveis federal, estadual e municipal, setores produtivos e sociedade. A partir das informações demográficas, o país pode delinear e projetar os caminhos para o desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida da população.

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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