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Aniversário

PT faz 45 anos: o que o partido tem a comemorar?

Veja a análise da coluna e o que dizem os petistas Fabiano Contarato e Helder Salomão

Publicado em 24 de Fevereiro de 2025 às 07:48

Públicado em 

24 fev 2025 às 07:48
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Lula discursa na festa de 45 anos do PT
Lula discursa na festa de 45 anos do PT Crédito: Aldo Barranco/PT
O Partido dos Trabalhadores foi fundado em fevereiro de 1980, gestado por sindicalistas e pela força de trabalho das montadoras de veículos do ABC paulista. O mundo e o país, àquela altura, eram bem diferentes do que temos hoje. E o próprio PT, de lá pra cá, mudou bastante. De partido comprometido com a ética e considerado até sectário, passou, principalmente a partir de 2002, a ser uma sigla maciçamente popular e, depois, marcada por escândalos de corrupção, como o mensalão e o petrolão.
O PT voltou a comandar a presidência da República, com Luiz Inácio Lula da Silva, pela terceira vez, a partir de 2023. Mas tem o que comemorar no aniversário de 45 anos?
A coluna ouviu dois quadros do partido no Espírito Santo: o senador Fabiano Contarato e o deputado federal Helder Salomão. A presidente estadual da sigla, Jack Rocha, foi procurada, mas não deu retorno.
Contarato e Helder estão animadíssimos para disputar a reeleição e avaliam o cenário atual de forma bem parecida. Mas antes de tratarmos das reflexões dos parlamentares, vamos ao contexto.
O governo federal está mal avaliado, a oposição aproveita o algoritmo das redes sociais para propagar críticas ácidas — nem sempre baseadas na verdade — e a gestão Lula responde erraticamente, dando mais munição para os disparos contra si mesmo.
“É preciso que a gente volte a dialogar com a periferia, percorrer o Brasil, dialogar com as igrejas, gastar sola de sapato na periferia, ocupar de novo as ruas”, afirmou o presidente da República, no sábado (22), na festa de aniversário do partido, realizada no Rio.
Mas não é isso que tem sido feito. Lula parece ter perdido o que o levou a ser um líder popular, a capacidade de ler o ambiente e de dialogar de forma eficiente.
A inflação no preço dos alimentos, claro, é um fator crucial para a queda na avaliação do governo, mas, como já pontuado aqui, o país está diferente.
Os trabalhadores do chão de fábrica já não são os únicos. A comunicação não se faz somente em palanques e panfletos impressos e há uma guerra identitária em curso, tanto por parte da esquerda quanto da direita.
Quem reclama de uso de pronome neutro, por exemplo, faz questão de chamar o Golfo do México de Golfo da América.
As perspectivas para o PT nas eleições de 2026 não são boas. Com o antagonista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível, o terreno está fértil para a centro-direita.
No Espírito Santo, a situação é pior ainda. Em 2024, no pleito municipal, o Partido dos Trabalhadores lançou 18 candidatos a prefeito e não elegeu nenhum. Nem ao menos chegou ao segundo turno em Vitória e Cariacica, feito que havia alcançado em 2020.
Pode ser que no ano que vem alguém “vá para o sacrifício” e dispute o Palácio Anchieta apenas para fazer palanque para a reeleição de Lula ou de outro candidato do PT à Presidência da República.
Obviamente, isso não vai ser tratado dessa maneira. Publicamente, seria um “candidato para valer”.
Agora, voltemos a Fabiano Contarato e Helder Salomão.
Ao responder à pergunta o que o partido tem a comemorar no aniversário de 45 anos, o senador lembra que os governos do PT ampliaram o número de instituições federais de ensino e o acesso a faculdades e universidades:
"O filho do pobre pôde cursar uma faculdade graças ao governo Lula. Só não reconhece isso quem não tem o mínimo de gratidão"
Fabiano Contarato (PT) - Senador
Contarato avalia que o PT precisa “se comunicar com os evangélicos e tratar da segurança pública”. “Se o campo progressista não falar sobre isso, a direita vai falar e da pior forma possível”, avisou.
O senador admite que o governo Lula pena com “a desinformação” e com o uso das redes sociais por parte da oposição. “A situação do Pix, por exemplo, o governo não comunicou direito inicialmente do que se tratava a medida, o que era a verdade, e depois foi atacado com mentiras”.
Para 2026, o senador petista, que se elegeu em 2018 filiado à Rede, diz estar “entusiasmado para disputar a reeleição”.
HELDER E O PALÁCIO ANCHIETA
Helder Salomão, o deputado federal mais votado do Espírito Santo em 2022, também está disposto a buscar mais um mandato.
Quanto ao desempenho do PT, o parlamentar avalia que a sigla tem, sim, muito a comemorar. Lembrou dos institutos federais de ensino, as escolas técnicas, e da recente medida instituída pelo governo federal de liberar remédios na Farmácia Popular sem nenhum custo direto para a população.
Cita como exemplo ainda uma medida a ser implementada, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Ele credita a avaliação ruim da gestão Lula às “fake news”. “Temos que enfrentar o império da mentira”.
Helder até acredita em uma reviravolta: “O governo Lula vai encerrar o mandato com avaliação positiva, 2025 vai ser o ano das grandes entregas, das grandes políticas do governo”.
Aliás, o deputado está disposto a ajudar o PT a se manter na Presidência da República. Em 2026, como já registrado aqui, o plano A do parlamentar é tentar mais um mandato de deputado federal. Mas isso pode mudar:
“A princípio, sou candidato à reeleição. Só se Lula precisar de um palanque competitivo, se eu for o candidato do Lula no Espírito Santo, aí disputo a eleição para o governo do estado”.
O otimismo de Contarato e Helder encontra eco no resultado das eleições de 2022, quando, em meio à nacionalização do pleito, tanto o PL de Bolsonaro quanto o PT de Lula foram beneficiados no estado. O Partido dos Trabalhadores elegeu dois deputados federais, Helder e Jack Rocha.
Desde então, porém, a aposta dos petistas é que o desempenho da sigla em 2026 seria impulsionado pela eventual boa avaliação do governo Lula. Até agora, a administração federal não tem ajudado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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