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Decisão do TCES

Placas de obras no ES não têm informações suficientes, mas, por enquanto, não vão mudar

Tribunal de Contas negou concessão de medida cautelar. Considerou, no entanto, que é  de "relevância e interesse público" incluir, por exemplo, a data do início dos trabalhos, além do prazo de conclusão, nas placas

Publicado em 26 de Setembro de 2023 às 16:25

Públicado em 

26 set 2023 às 16:25
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Cais das Artes
Placa antiga no canteiro do Cais das Artes, obra do governo estadual em Vitória Crédito: Fernando Madeira
Em 2022, o então deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) acionou o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) e pediu que a Corte determinasse a inclusão de mais informações nas placas de obras públicas do governo do Espírito Santo.
As placas, atualmente, mostram, por exemplo, o valor do investimento e o prazo de conclusão dos trabalhos. Quem passava em frente ao canteiro do Cais das Artes, em Vitória, podia ver, na antiga placa, que a obra deveria ter ficado pronta em 540 dias.
O estado do cartaz, entretanto, dava a dica: a obra passou muito do período previsto, ficou parada por anos. Mas a placa não indicava a data de início. Assim, não era possível ao contribuinte saber exatamente quanto tempo se passou.
Majeski queria que o governo incluísse a data de início das obras, valores de aditivos contratuais e até um QR code (código que pode ser lido pelas câmeras de celulares) para acesso ao detalhamento das informações.
Em acórdão (determinação colegiada) publicada nesta segunda-feira (25), o TCES negou a concessão de medida cautelar, uma decisão mais rápida, para obrigar o governo a fazer isso. E arquivou o processo. 
Ainda assim, não é o fim da história.
"Destaco a expressiva relevância e interesse público na iniciativa de se ampliar as informações de leitura pelo cidadão/contribuinte sobre uma obra (...) como uma forma de promover o controle social das realizações governamentais", escreveu, no voto, o relator do caso, conselheiro Domingos Augusto Taufner.
Ele apenas avaliou que não é preciso ter pressa para adotar a medida. E que, se determinada, ela teria que valer para outros entes públicos, como prefeituras, não somente para o governo estadual.
"Ressalto, outrossim, a necessidade de melhor análise e um debate ampliado, ante o fato de que uma determinação ou regulamentação por esta Corte de Contas seria extensível a outros entes públicos submetidos à sua jurisdição, não sendo cabível que se determine a sua implementação de forma precipitada", registra o voto de Taufner, que foi seguido pelos colegas.
O TCES decidiu encaminhar os autos à Secretaria Geral de Controle Externo (Segex) do próprio Tribunal para avaliação quando da elaboração do Plano Anual de Controle Externo.
O QUE DISSE O GOVERNO
O governo do Espírito Santo se manifestou no processo.
O secretário de Controle e Transparência, Edmar Camata, contestou as alegações de Majeski e que  "por meio do portal da transparência é possível identificar informações sobre órgão responsável pela execução, descrição, objeto, quantidade/unidade de medida, setor beneficiado, tipo de obra, tipo de serviço, bairro, município, cep, nº contrato, data de assinatura, modalidade da licitação, empresa contratada, forma de execução, situação, prazo contratado e valor contratado, execução financeira".
A área técnica do TCES, porém, não conseguiu localizar todas as informações no site mantido pelo governo estadual.
"Destaca-se, ainda, que a localização das informações não é acessível, sendo necessária a navegação em várias páginas, com referências típicas das contratações públicas, não havendo qualquer instrução que auxilie o usuário a encontrar a informação desejada", ressaltou o relator, no voto.
Taufner e os demais conselheiros também entenderam que o valor das mudanças nas placas seria baixo, o que as torna viáveis: "As referidas adequações representam um valor irrisório nos orçamentos das obras públicas".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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