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Blitz na madrugada

O que o comandante da PM do ES diz sobre deputado que recusou bafômetro

Lucas Polese (PL) alegou, inicialmente, que não fez o teste quando dirigia o carro oficial da Assembleia Legislativa por temer represálias da "alta cúpula da segurança". Agora, admitiu que havia bebido

Publicado em 02 de Janeiro de 2024 às 18:49

Públicado em 

02 jan 2024 às 18:49
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Douglas Caus
Douglas Caus , comadante-geral da PMES, durante coletiva sobre a morte de um adolescente por um PM em Pedro Canário. Crédito: Carlos Alberto Silva
Ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, na blitz em que foi parado em maio de 2023, o deputado estadual Lucas Polese (PL) foi multado em R$ 2,9 mil e deve ficar 12 meses com o direito de dirigir suspenso. São essas as penalidades previstas para qualquer motorista que se esquiva do etilômetro.
Logo após o episódio, Polese afirmou que não fez o teste "por orientação do jurídico" e que, por ser crítico à cúpula da segurança pública do Espírito Santo, temia represálias.
Durante meses, ele não revelou se havia ou não ingerido bebida alcoólica pouco antes de pegar o volante do carro oficial da Assembleia Legislativa. 
Antes, alegava até que, se fosse parado em dez blitze, recusaria o bafômetro em todas elas, para "não dar abertura para quem quer me ferrar na alta cúpula da polícia". Coronel Caus (comandante-geral da PM) conseguir, finalmente?".
Estava implícito que um policial militar fraudaria o resultado de um teste apenas para fustigar alguém de quem o comandante não gosta.
Os policiais têm fé pública. O PM que lavrou o auto de infração da blitz registrou que Polese apresentava "odor etílico".
Obviamente, era odor de vinho. 
A coluna quis saber o que o coronel Douglas Caus teria a dizer sobre o momento de sinceridade de Polese.
Afinal, o deputado admitiu que recusou o bafômetro não devido ao medo da "alta cúpula da segurança pública" e sim por temer pagar por seus próprios atos.
O militar preferiu não colocar mais lenha na fogueira, mas mandou um recado.
"Temos a mesma conduta, independentemente de quem for (o motorista abordado), principalmente em um estado em que as mortes no trânsito têm aumentado em relação aos últimos anos", afirmou o comandante-geral da PM nesta terça-feira (2).
"A Polícia Militar vai continuar fazendo seu trabalho institucional, não levando em conta qualquer classe social ou qualquer tipo de cargo que a pessoa ocupe", complementou Caus.
Lucas Polese se livrou de qualquer punição por parte da Corregedoria da Assembleia, que arquivou o caso alegando falta de provas. Provas essas que o colegiado não se esforçou muito para encontrar.
Enquanto isso, no Ministério Público Estadual, foi instaurada uma notícia de fato para apurar o ocorrido naquela madrugada de maio. Polese pode, ao final das investigações, ser alvo de uma ação judicial.
Com colaboração de João Barbosa

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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