Esta edição da CasaCor Espírito Santo será, sem a menor dúvida, a mais emocionante de todas as que já participei. Minha trajetória na mostra começou em 2003, no Saldanha da Gama. De lá para cá, estive presente em inúmeras edições, expondo minhas obras em espaços de grandes arquitetos e designers capixabas, sendo esta a segunda vez que assino um ambiente.
Mas agora, o cenário carrega uma grande carga simbólica: a mostra acontece no imóvel do Hotel Porto do Sol, empreendimento idealizado e construído pelo meu pai, e onde trabalhei por muitos anos da minha vida.
O sentimento que me guia é o orgulho profundo desse homem visionário, que ousou erguer o melhor hotel do Espírito Santo. Fazer parte dessa história, atuando como gerente administrativo-financeira durante anos, foi um grande aprendizado.
Viver este momento, no entanto, desperta um turbilhão de emoções contrastantes. Há uma tristeza inevitável ao saber que, em breve, a estrutura física será demolida. O Porto do Sol foi um marco definitivo para a hotelaria, o turismo, a arquitetura e a gastronomia capixabas.
Acervo pessoal
Foi doloroso caminhar pelos corredores antes do início das obras da CasaCor e ver o que outrora foi o ápice do estado transformado em escombros — um reflexo da gestão que nos sucedeu e que, infelizmente, levou o melhor empreendimento do setor à decadência e ao encerramento de suas atividades.
Mas o convite da CasaCor trouxe também a alegria da reconstrução poética. Esta é uma grande oportunidade para prestar uma homenagem digna ao meu pai e à história do hotel, antes da despedida final.
É a chance de resgatar memórias únicas para quem viveu aquela época áurea e, ao mesmo tempo, apresentar às novas gerações o pioneirismo que o Porto do Sol representou durante a nossa gestão. Quando as paredes não estiverem mais aqui, restarão os registros, os afetos e o patrimônio imaterial.
Graças à sensibilidade da Lígia Diniz, em parceria com a Construtora Mivita e todo o elenco da mostra, faremos uma despedida à altura do que esse ícone simbolizou.
Sou tomada também por um sentimento de gratidão pelas arquitetas Flávia e Letícia Abaurre, filhas de um grande amigo do meu pai, que dividem comigo a autoria do espaço. E também por todos os artistas, fornecedores e parceiros que ajudaram a dar vida a esse projeto.
Acervo pessoal
Acima de tudo, sinto a honra de eternizar o legado incrível que ele deixou para o Espírito Santo e para a vida de tantos funcionários, clientes e parceiros que construíram essa jornada conosco.
A escritora Maya Angelou diz que "o seu legado é cada vida que você toca". O concreto pode ser temporário, mas o legado é eterno. Nesta edição da CasaCor, nossa missão é exatamente essa: levar adiante a história de João Dalmácio, tocando e inspirando ainda mais mentes e corações.