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Francisco Aurelio Ribeiro

Estive recentemente em Cabo Verde, a terra do Vozinha

Mindelo inaugurou, recentemente, um novo terminal de cruzeiro, infelizmente, ainda com pouca infraestrutura para atender o turismo

Publicado em 13 de Julho de 2026 às 04:25

Públicado em 

13 jul 2026 às 04:25
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

A Copa Mundial de Futebol chega ao fim e, mais uma vez, a Seleção Brasileira cai antes, agora diante dos destemidos vikings comandados por Haaland, nosso carrasco da vez. A sensação desta Copa de poucas boas lembranças foi a seleção de Cabo Verde, e a atuação destemida do goleiro Vozinha, que encarou de igual para igual as seleções campeãs de Uruguai, Espanha e Argentina e só perdeu diante da atual campeã mundial, sempre favorecida pela arbitragem, nos minutos finais. 


Em março passado, estive em Mindelo, a capital cultural do arquipélago de Cabo Verde, uma das paradas do navio em que fizemos a travessia Brasil-Espanha. Após a Copa, Cabo Verde e suas ilhas encantadoras passaram a ser novo destino turístico. Por estar a apenas quatro horas de voo do Recife, super-recomendo a visita à terra do, agora, lendário Vozinha.


Após mais de uma semana navegando, desde que saímos de Santos (SP) só vendo céu e mar, o coração se enche de júbilo ao avistarmos as ilhas do arquipélago de Cabo Verde, no meio do Oceano Atlântico. 

Vozinha é o goleiro de Cabo Verde
Vozinha (de rosa) é o goleiro de Cabo Verde Reuters/Folhapress/Rodrigo Antunes

Das dez ilhas que compõem o país, chegamos a São Vicente, onde se localiza Mindelo, uma simpática cidade de colonização portuguesa, famosa pela cultura pujante, como a música, as artes plásticas e o artesanato, é a terra natal de Cesária Évora, a mais famosa cantora local, que divulgou o ritmo da “morna” pelo mundo.  


Mindelo inaugurou, recentemente, um novo terminal de cruzeiro, infelizmente, ainda com pouca infraestrutura para atender o turismo. Faltam lojas de artesanato, bares, lojas de souvenires, entre outras coisas.


Mindelo é uma cidade pequena, embora seja a segunda maior do país, só atrás de Praia, a capital. Possui cerca de 75 mil habitantes em uma área de 67 quilômetros quadrados. Não possui muitas atrações, sendo a praia da Laginha a preferida dos visitantes e dos locais, por estar bem no centro da cidade. Pode-se ir a pé, do navio, num trajeto de pouco mais de 1km. 


As atrações da cidade são o Palácio do Governador, a Câmara Municipal, a Pracinha da Igreja o berço da cidade, onde foram construídas as primeiras casas e ruas. Na Avenida Marginal, existe a réplica da Torre de Belém de Lisboa – hoje um pequeno museu marítimo – o Fortim d’el-Rei, donde se avista toda a cidade e a baía, e a Alfândega Velha, atualmente, o Centro Nacional de Artesanato.


Infelizmente, chegamos a Mindelo num domingo e tudo estava fechado. Percorremos a Avenida Marginal, admiramos os moradores darem banho nos cachorros, no mar, compramos lembrancinhas com os poucos vendedores nas ruas, a maioria do Senegal, e resolvemos passar o resto do dia na praia.  


Por cinco euros, o taxista nos deixou no Caravela, um restaurante bem situado na Praia da Laginha. Não é a praia mais bonita do arquipélago, nem da ilha, mas é a mais acessível.  Fomos muito bem atendidos, o povo cabo-verdiano é muito simpático e acolhedor, parecido com o brasileiro. Gosta de conversar e tem uma culinária parecida com a nossa. 

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Naquele dia, o prato do dia no restaurante era a feijoada brasileira e os locais a degustavam com prazer, por 700 escudos cabo-verdianos, uns 8 euros. Optamos por um prato mais leve, camarões grelhados, acompanhados de uma gostosa cerveja local, que tomam bem fria como gostamos nós, os brasileiros. 


 A praia da Laginha possui águas azuis e transparentes, a areia é branca e fina, um convite, em dias de calor, o que sempre ocorre na ilha. Resolvi dar um mergulho e tive uma surpresa. A água é muito fria, deveria estar uns 15° C, enquanto estamos acostumados com uma água bem mais quentinha no Brasil, e a praia é de tombo, ou seja, a onda quebra sempre no mesmo lugar, formando uma depressão. 


Ao entrar, caí num buraco e água foi até o pescoço, gelando o corpo todo. Nadei um pouco, mas não aguentei ficar muito tempo. Resolvi secar-me e voltar pro bar, para mais uma cerveja e regressar ao navio. 


Fomos a pé, numa caminhada agradável à beira-mar, de vez em quando, parando para conversar com os locais. Sentimo-nos em casa, com se estivéssemos numa praia do nordeste brasileiro, e Cabo Verde nos pareceu uma parte nossa, com um povo irmão. Pena não podermos ficar mais tempo para ir à ilha de Santo Antão, maior e ao lado. Quem sabe um dia voltaremos para visitar outras ilhas.    


Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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