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Política

Fim do PSDB encerra uma era

O PSDB e FHC, seu presidente de honra, deixaram como legados ao país o Plano Real e, com ele, a melhoria da economia e o controle da hiperinflação

Publicado em 14 de Março de 2025 às 02:00

Públicado em 

14 mar 2025 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi fundado em 25 de junho de 1988, em um momento em que o Brasil se reencontrava com o regime democrático. Desde então, o PSDB ampliou sua bancada, assumiu o governo de inúmeros municípios e estados importantes, protagonizou por quase três décadas a polarização com o Partido dos Trabalhadores, venceu duas eleições presidenciais no primeiro turno e chegou ao segundo turno em outras quatro eleições presidenciais, destacando-se 2014, quando Aécio Neves foi derrotado por Dilma Rousseff por uma diferença pouco maior que 3 milhões de votos.
Todavia, na eleição presidencial de 2018, apesar da ampla aliança partidária firmada, Geraldo Alckmin, então candidato tucano à presidência da República, teve um desempenho muito aquém de qualquer estimativa: a menor votação alcançada por um presidenciável do PSDB (4,8% dos votos válidos; enquanto, em 2006, Alckmin foi ao segundo turno com 41,64%). Naquele ano, na Câmara, o número de deputados federais eleitos pelo PSDB caiu de 54 para 30, e, no Senado, sua bancada passou de 10 para 8 senadores.
De lá para cá, a situação piorou de modo significativo. Nas eleições municipais de 2024, os tucanos elegeram 251 prefeitos, ante os 520 eleitos no pleito municipal de 2020. A bancada tucana, que já foi uma das mais expressivas do Congresso Nacional, atualmente reduziu-se a 13 deputados federais e a 3 senadores.
Em 2022, já em meio à crise partidária, o PSDB uniu-se ao Cidadania em uma federação, alternativa disponível para não esbarrar na cláusula de desempenho e continuar recebendo os recursos indispensáveis ao funcionamento da agremiação. Ocorre que isso não foi suficiente, e o partido está prestes a ser fundido a outro, o que, em outras palavras, pode ser entendido como o fim do PSDB.
Um dos prováveis equívocos tucanos pode ter sido a perda de sua essência e agenda social-democrata, principalmente após os anos em que João Doria tentou assumir o protagonismo do partido. A esse respeito, cabe lembrar que, mesmo tendo Alckmin, seu ex-padrinho político, como presidenciável do PSDB, Doria preferiu aderir ao “Bolso-Doria”.
Ao ceder o protagonismo a Bolsonaro, o partido foi migrando do centro para a direita e, rapidamente, perdeu espaço no tabuleiro político, já que a direita de massas parece se identificar com partidos mais populistas, e o espectro do centro perdeu votos em um Brasil radicalizado.
As urnas acenderam o sinal de alerta para o PSDB se reconstruir e se modernizar. Mas o partido não ouviu o clamor por reconstruir a agenda social-democrata, aproximar-se do pulsar das ruas e incentivar o surgimento de novas lideranças.
O PSDB e FHC, seu presidente de honra, deixaram como legados ao país o Plano Real e, com ele, a melhoria da economia e o controle da hiperinflação. Também implementaram os medicamentos genéricos e fortaleceram o programa de tratamento gratuito de pacientes com HIV.
Fernando Henrique Cardoso
Fernando Henrique Cardoso Crédito: Facebook / Divulgação
A despeito das críticas, fazem parte da herança tucana a Lei de Responsabilidade Fiscal e a privatização de empresas públicas, medida fundamental para o desenvolvimento de setores como o das telecomunicações que, aos poucos, foi se tornando mais acessível aos mais pobres.
O fim do PSDB marca também o encerramento de uma era: a do comedimento político. Apesar de PSDB e PT serem veementes e ferrenhos adversários, entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, por maior que fosse a disputa, o debate se dava em tom minimamente respeitoso entre ambos os lados.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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