Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Tráfego intenso

O gap da mobilidade: Vitória precisa de engenharia de tráfego

Sem agentes de trânsito de carreira, focados exclusivamente em fluidez e educação viária, a cidade perde a capacidade de resposta técnica

Publicado em 03 de Julho de 2026 às 16:39

Públicado em 

03 jul 2026 às 16:39
Arquitetura e Construção

Colunista

Arquitetura e Construção

A gestão de trânsito não é um caso de polícia; é um desafio de engenharia, logística e urbanismo Vitor Jubini | GZ

*Eduardo Borges


Vitória frequentemente ostenta o título de “cidade inteligente”, mas, para quem estuda o fenômeno urbano, a inteligência da capital capixaba possui um ponto cego crítico: a ausência de uma estrutura dedicada exclusivamente à engenharia e fiscalização de trânsito.

 O modelo atual, que delega o tráfego a uma Guarda Municipal híbrida e a um Centro de Controle Operacional (CCO) de videomonitoramento policial, é tecnicamente falho e insuficiente para as demandas de uma metrópole insular.

O modelo de Vitória se pauta em monitorar e não em gerir. O CCO de Vitória é, em essência, uma ferramenta de segurança. O foco no “Cercamento Eletrônico” é eficaz para reduzir a criminalidade, mas o trânsito é tratado como um subproduto.

Sem agentes de trânsito de carreira, focados exclusivamente em fluidez e educação viária, a cidade perde a capacidade de resposta técnica. A Guarda Municipal, por mais qualificada que seja, divide-se entre o combate ao crime e o ordenamento urbano, o que significa relegar o trânsito a uma função reativa — o agente só aparece se houver um acidente ou infração grave.

Enquanto Vitória dilui suas competências, as outras capitais do Sudeste mantêm estruturas especializadas que servem de referência.

1. São Paulo (CET-SP): A Inteligência da Carreira.

O maior trunfo paulistano não é o tamanho do orçamento, mas a existência de um corpo técnico de engenheiros de tráfego residentes. Eles realizam microsimulações de fluxo e contagens volumétricas constantes, permitindo que a cidade opere acima de sua capacidade física. O trânsito lá é uma ciência exata, não um anexo da segurança.

2. Rio de Janeiro (CET-Rio e COR): A Operação em Tempo Real.

O Rio de Janeiro elevou a gestão operacional com o Centro de Operações Rio (COR). A diferença crucial para Vitória é que o COR integra dados de mobilidade para intervenções imediatas. Se um sensor detecta lentidão, a engenharia da CET-Rio atua na reprogramação semafórica remota em segundos, algo impossível em um sistema focado apenas em câmeras de segurança.

3. Belo Horizonte (BHTrans): A Gestão de Conflitos.

A capital mineira, apesar de enfrentar gargalos geográficos, possui técnicos especializados em logística urbana. A BHTrans foca no planejamento do impacto de vizinhança e no transporte público como prioridade, separando claramente quem cuida do crime (Guarda) de quem cuida do fluxo (Agentes de Transporte e Trânsito).

Para Vitória avançar, a tecnologia de câmeras precisa ser alimentada por inteligência de tráfego própria. Isso exige a criação de uma carreira de Agente de Trânsito — profissionais cujo KPI não seja a prisão, mas a fluidez — e um corpo de engenheiros civis especializados em mobilidade urbana (“engenheiros de tráfego”) dentro da gestão municipal.

Sem essa especialização, Vitória continuará “enxergando” o trânsito através de suas telas, mas sem as mãos técnicas necessárias para consertá-lo. A gestão de trânsito não é um caso de polícia; é um desafio de engenharia, logística e urbanismo.


*Eduardo Borges é diretor do Sinduscon-ES, engenheiro civil e mestre em Urbanismo

Mais Arquitetura e Construção

O gap da mobilidade: Vitória precisa de engenharia de tráfego

Construção inovadora muda o jeito de construir e reduz os impactos ambientais

Enseada do Suá sem saída: o problema crônico do trânsito na região

Arquitetura e Construção

Análises semanais do setor da construção civil, engenharia, arquitetura e decoração, com especialistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-ES), e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-ES).

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Rayan, atacante da Seleção Brasileira
Clima no México deve mudar horários e adiar Brasil x Noruega em até uma hora
Imagem de destaque
Copa do Mundo: 5 dicas para manter uma alimentação equilibrada nos dias de jogo  
Concessionária Honda Dream em Vitória
Saiba quais são as próximas concessionárias que abrem no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados