Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Economia

Novo arcabouço fiscal do Brasil na hora de a onça beber água

Tudo somado, a maioria do governo construída até agora no Congresso permite aprovação por maioria simples. Mas é ainda uma maioria frágil

Publicado em 08 de Abril de 2023 às 00:15

Públicado em 

08 abr 2023 às 00:15
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião sobre nova regra fiscal
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião sobre nova regra fiscal Crédito: Ricardo Stuckert/PR
novo arcabouço fiscal do governo Lula, que vai ser enviado para a tramitação no Congresso Nacional, em geral foi bem aceito  tanto no mercado político, quanto no mercado econômico. Agora é hora de a onça beber água: a aprovação no Congresso e a superação das críticas de muitos economistas.
Defensor rigoroso do ajuste fiscal no Brasil, desde os seus tempos liderando o Instituto Fiscal Independente do Senado da República, Felipe Salto foi cirúrgico na avaliação. Quanto às primeiras críticas entre economistas, sentenciou: “Cortar gastos tributários é uma das medidas sobre as quais há rara unanimidade entre economistas. Fala-se tanto em combater essas benesses, fazer avaliação para reduzir as renúncias de receitas. Então, o governo está propondo isso. Agora acham ruim?".
Salto avalia que o novo arcabouço combina regras positivas de controle das despesas com metas de resultados primários, permitindo a estabilização da dívida pública e uma melhoria na sua trajetória. Juntamente com Josué Pellegrini, Salto estimou que “se o novo arcabouço estivesse em vigor desde 2011, o governo federal poderia ter tido uma redução de R$ 775,3 bilhões em despesas – ou R$ 64,6 bilhões ao ano, a preços constantes”.
Isto posto, ele lembra que o busílis é tornar crível e efetivo o aumento de receitas, com a retirada ou diminuição de benesses fiscais. Isso significa, na prática, enfrentar o vespeiro do conflito distributivo. O Brasil, já diz Marcos Lisboa há muitos anos, é o país da meia-entrada. Trata-se, para ele, da distribuição de privilégios e incentivos a setores selecionados, prática que é recorrente e cumulativa - e que pressiona os gastos públicos a terem crescimento maior do que o crescimento do PIB.
Quando diz que pretende harmonizar a responsabilidade fiscal com a responsabilidade social, é a esse vespeiro que o ministro Haddad se refere. Que ele traduz em linguagem popular: “Colocar o pobre no orçamento e cobrar impostos dos ricos”. Não vai ser fácil. A herança patrimonialista que a colonização portuguesa legou ao Brasil continua firme e forte. O Orçamento Geral da União está cheio de jabutis.
No Brasil, até os autointitulados liberais adoram uma benesse do Estado. Não é à toa que nossa sabedoria popular se refere ao governo como “a viúva”. A marca da cultura patrimonialista da meia-entrada. No final, a conta não fecha. Os gastos não cabem no PIB.
O debate já chegou ao Congresso, mesmo nesta Semana Santa de “recesso branco”. Haddad declarou que, por exemplo, o Brasil possui entre 400 e 500 empresas com “superlucros” beneficiadas por incentivos fiscais “ilegítimos”. Por exemplo, diz ele, “você subvencionar o custeio de uma empresa que está tendo lucro (...) essa empresa que não está pagando imposto e está tendo lucro vai passar a recolher”.
Ao mesmo tempo, o líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), que passou pelo Espírito Santo nesta Quinta-feira Santa, avaliou que o novo arcabouço fiscal apresentado até agora “tem regras frouxas”. Ele declarou ao Estadão que senadores dos partidos de oposição ao governo Lula vão trabalhar para “apertá-las” durante a tramitação da proposta no Congresso.
Tudo somado, a maioria do governo construída até agora no Congresso permite aprovação por maioria simples. Mas é ainda uma maioria frágil. O governo vai ter que gastar lábia e sola de sapato nos corredores do Congresso. E os ministros, principalmente o ministro Haddad, a ministra Simone Tebet e o ministro Alexandre Padilha, vão precisar de um competente processo de comunicação nas mídias.
A ordem é explicar, passar credibilidade e confiança, e convencer. A onça vai beber água e a vaca vai tossir.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Flávio Bolsonaro, senador
Flávio Bolsonaro promete criar 500 mil vagas em presídios em 4 anos e zerar déficit carcerário
A marca apresenta McOferta com blister de molho do Big Mac em edição limitada
Mcdonald’s traz grandes craques da Copa do Mundo em campanha com McOferta especial em copos exclusivos
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e senador Jacques Wagner
Alcolumbre é solidário a Jaques Wagner: 'Todos temos que ter presunção de inocência'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados