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Alvaro Abreu

Caixinha de utilidades

Resolvi separar um pequeno arsenal de utilidades para que ela use quando quiser fazer, com suas mãozinhas habilidosas, algo interessante para oferecer a alguém

Publicado em 25 de Janeiro de 2018 às 16:59

Públicado em 

25 jan 2018 às 16:59
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Fazendo carinha de anjo, Manu, minha neta mais velha, me pediu que fizesse um kit completo de colheres para levar pra São Paulo. Ela adora inventar moda na cozinha e já aprendeu a fazer gelatina, sopa de legumes e broa de milho. Trabalhei uma manhã inteira e fiz até rolinho para esticar massa. Ao lembrar que ela vai ficar sem poder usar o que existe de bom e aproveitável no meu armário de ferramentas, resolvi separar um pequeno arsenal de utilidades para que ela possa usar quando quiser fazer, com suas mãozinhas habilidosas, alguma coisa interessante para oferecer a alguém. Para que nada se perca na mudança para a casa nova, coloquei tudo numa daquelas simpáticas caixinhas de madeira utilizadas para embalar vinhos mais caros.
Comecei pelas fitas adesivas para os mais diferentes usos, algo de que ela tanto gosta e que tenho em profusão. Para facilitar, enrolei umas dez tiras lado a lado em um gomo retinho de bambu. Escolhi as mais coloridas, de ”fazer vista”, como se dizia. Em outro pedaço de bambu, este com nós bem juntinhos, tratei de enrolar uns 20 tipos diferentes de linhas e fios, algo que muito prezo pela utilidade que têm: barbantes de algodão, nylons e cordinhas de tucum de várias espessuras, fio urso e um pedaço da linha de pesca mais resistente que conheço.
Fora isso, enrolei também fio de plástico prateado, linha para costurar sapato, uma tirinha de couro e um pedaço de cordão de rede trazido da Paraíba. Por precaução, inclui três folhas de lixa d’água, pregos variados e tachinhas sortidas, além de parafusos de vários tipos e tamanhos e algumas buchas.
Coloquei também ferramentas de uso corrente: um martelinho colorido, duas chaves de fenda, dois alicates pequenos, sendo um de ponta fina, uma serrinha de aço e cinco goivas japonesas para cavar madeira macia. Por último, mesmo sabendo que faca não é brinquedo de criança, resolvi dar pra ela uma das faquinhas alemãs que uso para cortar bambu. Se bem conheço aquela menina, ela vai usar tudo e logo logo vai me pedir para repor o que estiver acabando.
*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro
 

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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