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Eleições 2026

Moraes diz que 'políticos que não têm voto' usam STF como 'escada eleitoral'

Alvo recente de críticas do ex-governador Romeu Zema a ele e outros ministros, Moraes afirmou que ‘ataques’ à Corte são usados para ganhar visibilidade nas redes

Publicado em 28 de Abril de 2026 às 17:12

Hugo Henud

Publicado em 

28 abr 2026 às 17:12
Alexandre de Moraes
Moraes diz que ataques ao STF substituem o debate sobre políticas públicas. CARLOS ALVES MOURA / STF

BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou, nesta terça-feira (28), o que classificou como o uso da Corte por políticos como "escada eleitoral" para ampliar a visibilidade nas redes sociais. "Querem likes", disse.

As declarações foram feitas durante julgamento na Primeira Turma do STF envolvendo denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) contra o também deputado federal José Nelto (União Brasil-GO), acusado de injúria e calúnia.

Segundo Moraes, parlamentares de diferentes espectros ideológicos têm adotado uma estratégia de confronto público com o objetivo de gerar engajamento para campanha eleitoral. "Cada um repercute nas suas redes sociais, cada um tem muitos likes e conseguem elevar o conhecimento público a seus nomes", afirmou o ministro.

Para o ministro, essa prática passou a atingir diretamente o Supremo e seus integrantes. "Políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas que querem, acabam querendo ofender o Poder Judiciário, acabam querendo ofender a honra, a dignidade dos membros do Poder Judiciário, utilizando-nos como escada eleitoral", declarou, citando que pesquisas da semana para sugerir que a estratégia não está dando certo.

As críticas ocorrem em meio a episódios recentes envolvendo pré-candidatos à eleição de 2026. Na última semana, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou um vídeo com críticas, em tom de sátira, à atuação do ministro Gilmar Mendes. O caso levou Mendes a enviar uma notícia-crime com pedido de inclusão de Zema no inquérito das fake news, sob relatoria de Moraes.

Sem citar nomes, o ministro afirmou que a estratégia tem substituído o debate sobre políticas públicas. "Ao invés de discutir saúde, educação, segurança pública, ao invés de discutir o que fizeram em seus mandatos, querem pegar uma escada numa suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal, não com críticas, mas com agressões verbais", disse.

Na avaliação de Moraes, esse tipo de conduta extrapola o embate político e poderia, em outros contextos, ser enquadrado como "assédio moral".

As críticas a Moraes se ampliaram desde que foi relevado um contrato do escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, revelado pela colunista Malu Gaspar, no jornal "O Globo". Além disso, ela revelou mensagens de Daniel Vorcaro trocadas com Moraes no dia da prisão do ex-banqueiro.

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