BRASÍLIA - O presidente Lula (PT) escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado. O cargo havia ficado vago depois da saída de Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo de operação da PF (Polícia Federal) relacionada ao caso Banco Master.
Quem ocupa o cargo se torna representante do presidente da República junto aos demais senadores. É responsável por fazer acordos em nome do Planalto durante negociações de projetos em votação, por exemplo.
"Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros", anunciou Lula em seu perfil no X, antigo Twitter.
Um dos aliados mais próximos de Lula, Jaques Wagner deixou a liderança do governo na quarta-feira (24) depois de uma conversa com o presidente. Ele resistia à hipótese de se afastar. Lula queria que o aliado deixasse o cargo para evitar que sua campanha de reeleição como presidente fosse contaminada pelo escândalo do Banco Master.
Aliados de Lula especulavam que o presidente poderia indicar o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) para o cargo. O motivo seria a relação de proximidade que os dois criaram ao longo do atual governo. Camilo, porém, está escalado pelo petista para impulsionar sua aliança no Ceará.
O senador Otto Alencar (PSD-BA) também teve o nome citado nos bastidores. Aliado tanto de Lula quanto de Wagner, Otto é um dos senadores mais respeitados pelos colegas. Ele, porém, já ocupa um posto relevante no Legislativo, o de presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a principal do Senado.
O chefe do governo sinalizou a aliados na noite de terça-feira (23) que poderia escolher Teresa Leitão para o posto. Na quarta, teve a conversa definitiva com Wagner. Na manhã desta quinta, falou com a senadora por telefone antes de anunciá-la como nova líder do governo.
A senadora, de 74 anos, foi eleita em 2022. Seu mandato vai até 2031, o que significa que ela não precisará disputar a eleição deste ano.
A fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF na última semana apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA). Lima foi sócio de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e pivô do escândalo financeiro.
Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner, o que, segundo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.
Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.
Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).