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Ricardo Gava

Artigo de Opinião

É diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES
Ricardo Gava

Selic cai. Vale a pena esperar ainda mais para financiar um imóvel?

Enquanto muita gente acompanha cada movimento da Selic, o mercado imobiliário continua andando, os imóveis continuam sendo vendidos, os preços continuam mudando e as oportunidades continuam passando
Ricardo Gava
É diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 17:40

Publicado em 

19 jun 2026 às 17:40

A queda da Selic sempre traz a mesma pergunta: agora é a hora de comprar ou vale a pena esperar mais um pouco para ver se os juros caem ainda mais? Parece uma decisão lógica. Afinal, ninguém quer pagar juros maiores do que o necessário. Mas existe um erro muito comum nessa conta.

 

Muita gente passa meses ou até anos esperando uma taxa melhor e esquece de observar o que acontece com o imóvel durante esse mesmo período. É comum ouvir que, ao final de um financiamento, você paga dois ou até três imóveis. A frase costuma ser usada como argumento para mostrar que financiar é um mau negócio.


Mas quase ninguém faz a pergunta que realmente importa: Quanto esse imóvel vai valer daqui a 20 ou 30 anos? Quem olha apenas para os juros enxerga uma despesa. Quem olha para o imóvel enxerga um patrimônio.

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E existe outro detalhe que raramente entra nessa conversa: a maioria dos financiamentos não chega ao prazo final contratado. Embora os contratos sejam assinados em 30 ou 35 anos, muitas famílias utilizam o FGTS ao longo do caminho, fazem amortizações, recebem aumentos de renda, vendem um imóvel para comprar outro ou simplesmente antecipam parcelas.

 

Na prática, boa parte dos financiamentos é liquidada muito antes do prazo originalmente previsto. Mas mesmo que alguém permaneça no financiamento até o final, a análise continua incompleta quando se olha apenas para os juros. Durante décadas, aquele imóvel também está trabalhando. Ele acompanha a expansão da cidade, a melhoria da infraestrutura, a escassez de terrenos, a inflação e o desenvolvimento econômico da região.

 

Enquanto a dívida diminui, o patrimônio cresce. Por isso, a pergunta não deveria ser apenas quanto foi pago ao banco. A pergunta deveria ser: Quanto patrimônio foi construído durante esse mesmo período?

Estratégias mais sofisticadas no mercado imobiliário exploram as formas de segmentação de maneira integrada.
Mercado imobiliário. Shutterstock

Outro ponto pouco lembrado é que o imóvel comprado hoje tem preço definido. Já os juros não. Se as taxas caírem no futuro, existe a possibilidade de fazer uma portabilidade e buscar condições melhores. Ou seja, o comprador consegue renegociar o custo do dinheiro. O que ele não consegue fazer é voltar no tempo para comprar o mesmo imóvel pelo preço antigo. É justamente por isso que esperar indefinidamente pela taxa perfeita nem sempre é a melhor estratégia.

 

Porque enquanto muita gente acompanha cada movimento da Selic, o mercado imobiliário continua andando, os imóveis continuam sendo vendidos, os preços continuam mudando e as oportunidades continuam passando.

 

A queda da Selic é uma excelente notícia para quem deseja comprar um imóvel. Ela ajuda a criar um ambiente mais favorável para o crédito e tende a melhorar as condições de financiamento ao longo do tempo. 


Mas o patrimônio raramente é construído por quem espera o cenário perfeito. Na maioria das vezes, ele é construído por quem identifica uma boa oportunidade, toma uma decisão consciente e permite que o tempo faça seu trabalho. Quem espera apenas a queda dos juros olha para o custo. Quem compra um bom imóvel olha para o patrimônio.

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