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Lucas Damm Cuzzuol

Artigo de Opinião

É arquiteto e urbanista, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), conselheiro estadual do CAU/ES e docente do Centro Universitário Multivix Vitória
Lucas Damm Cuzzuol

25 anos do Estatuto da Cidade e o tamanho da crise urbana brasileira

Pouca capacidade operacional e orçamentos curtos estão entre os principais fatores que dificultam o planejamento e desenvolvimento urbano nas diretrizes do Estatuto
Lucas Damm Cuzzuol
É arquiteto e urbanista, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), conselheiro estadual do CAU/ES e docente do Centro Universitário Multivix Vitória

Publicado em 10 de Julho de 2026 às 10:00

Publicado em 

10 jul 2026 às 10:00
O Estatuto da Cidade (Lei Federal nº10.257/2001) representa um dos mais importantes marcos da política urbana brasileira ao regulamentar os artigos 182 e 183 da Constituição. Sua principal contribuição foi estabelecer diretrizes para o desenvolvimento urbano, reconhecendo que a cidade e a propriedade urbana devem cumprir sua função social, orientada pelo bem-estar coletivo.

Instrumentos jurídicos e urbanísticos destinados à promoção de cidades mais justas, democráticas e sustentáveis foram consolidados pelo Estatuto, como os planos diretores, instrumentos centrais para as estratégias de desenvolvimento urbano.

Também contribuiu para a ampliação da participação social nos processos decisórios, assim como a introdução de instrumentos para o enfrentamento da especulação imobiliária, promoção do acesso à terra urbanizada, políticas de regularização fundiária, produção habitacional e proteção ambiental.

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Mais do que celebrar, no aniversário de 25 anos do Estatuto da Cidade propomos um balanço crítico, reconhecendo o quanto avançamos, mas compreendendo o tamanho da crise urbana brasileira.

Ainda possuímos déficit e inadequação habitacional que somados passam de 22 milhões de moradias, sofremos com o aumento do custo de vida influenciado pelo preço dos imóveis e do aluguel (Vitória é a capital brasileira com o metro quadrado mais caro), o trânsito que ceifa vidas e consome longas horas dos dias, a degradação ambiental que polui o ar e os rios urbanos, e tantos outros aspectos.

Pouca capacidade operacional e orçamentos curtos estão entre os principais fatores que dificultam o planejamento e desenvolvimento urbano nas diretrizes do Estatuto para diversos municípios, sobretudo os de pequeno e médio porte.
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Cidades Pixabay
Entretanto, há uma dimensão política que deve ser destacada. É necessário vontade para regular o rentismo imobiliário e atividades econômicas geradoras de impactos, priorizar orçamento para o desenvolvimento urbano nos marcos dos objetivos do Estatuto e realizar articulações políticas e institucionais capazes de viabilizar investimentos e projetos no contexto de redução da capacidade de investimento e atuação do Estado.

Dessa forma, o Estatuto da Cidade permanece relevante para a política urbana brasileira. Contudo, sua efetividade depende menos da existência formal dos instrumentos legais e mais da capacidade dos governos locais de implementá-los, da participação ativa da sociedade e do compromisso político com a redução das desigualdades.

O desafio não é apenas preservar os avanços conquistados, mas transformar os princípios estabelecidos pela legislação em resultados concretos que promovam a reforma urbana: cidades mais democráticas, sustentáveis e socialmente justas.
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