Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Todas Elas
  • Luana, Fabrícia, Rosimar e Elizângela: o que essas mulheres têm em comum?
Violência

Luana, Fabrícia, Rosimar e Elizângela: o que essas mulheres têm em comum?

Segundo especialistas, machismo estrutural e falta de políticas públicas destinada às mulheres contribuem para casos de feminicídio

Publicado em 26 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Viviann Barcelos

Publicado em 

26 fev 2021 às 02:00
Luana, Rosimar, Fabrícia e Elizângela, assassinadas por companheiros e ex-companheiros, fazem parte das estatísticas de feminicídio no Espírito Santo.
Luana, Rosimar, Fabrícia e Elizângela, assassinadas por companheiros e ex-companheiros, fazem parte das estatísticas de feminicídio no Espírito Santo. Crédito: Reprodução/Redes Sociais
Quatro mulheres e quatro histórias diferentes. Luana Demonier, tinha 25 anos. Rosimar dos Santos Cruz tinha apenas 31 anos. A Fabrícia Maria da Silva, 35. Já a Elizângela Teixeira de Lacerda, 36. Apesar das diferenças, elas têm uma coisa em comum: foram assassinadas por golpes de armas brancas, mortas por pessoas com quem compartilharam a intimidade, companheiros e  ex-companheiros. 
Foi na noite do dia 08 de fevereiro que Fabrícia, então moradora do bairro Aviso, em Colatina, foi assassinada com quatro golpes de facas. A vítima chegou a ser socorrida por populares e levada para o Hospital Geral de Linhares (HGL), mas não resistiu.
No dia 10 de fevereiro, na zona rural de Colatina, Rosimar perdeu a vida na frente de seus próprios filhos. Com golpes de facão no pescoço e muito sangue, o seu corpo foi encontrado dentro de casa. O suspeito, o ex-marido, identificado como Marcelo Vieira Cravo Stancini, ainda não foi localizado.
No dia 20 de fevereiro, a babá Elizângela Teixeira de Lacerda foi encontrada, pela filha de 9 anos, esfaqueada e morta no banheiro da casa onde ela morava, no bairro Castelo Branco, em Cariacica. Dois dias depois, Cleomar de Miranda Gonçalves, o namorado, foi preso ao confessar o crime.

"PROXIMIDADE COM AS VÍTIMAS"

De acordo com os dados da Secretaria Estadual de Segurança Públicas, quatro mortes de mulheres já foram confirmadas como feminicídio até o dia 24 de fevereiro deste ano. Para a especialista em questões referentes a gênero, discursos, poder e violências contra mulheres, Renata Bravo, esses crimes são resultados de uma cultura violenta, que mata a mulher por ser mulher.
“A nossa sociedade ainda é produtora e vítima desse machismo e desse patriarcado, que vê a mulher como um objeto de posse. As discussões sobre a violência contra a mulher ainda são recentes. Exemplo disso é que a Lei Maria da Penha foi criada em 2006; o termo feminicídio, em 2015. Por mais que a gente esteja lutando contra essa naturalização da violência, o caminho a ser percorrido ainda é longo”, explica.
Sobre o uso das armas brancas, como facas, facões, estiletes, canivetes, dentre outros objetos que causam cortes e perfurações, a especialista analisa que, assim como suspeitos dos crimes geralmente têm proximidade com as suas vítimas, esse tipo de arma exige uma proximidade na hora de assassinar a vítima, diferente da arma de fogo, no qual um tiro pode ser disparado à distância. 
"Além disso, facas são mais fáceis de serem portadas sem levantar muita suspeita, facilitando a perseguição dos homens às vítimas"
Renata Bravo  - Especialista em questões referentes a gênero, discursos, poder e violências contra mulheresr
A Presidente do Coletivo Social Mulheres Unidas de Caratoíra, Winy Fabiano, salienta também que a facilitação do armamento da população pode causar mortes de mais mulheres. “A gente sabe que o uso de uma arma é para nos proteger, mas proteger de quem? Vivemos em uma sociedade que tem um machismo estrutural, onde as mulheres são vistas como objetivo de posse. Quando o homem não usa a mão para agredir uma mulher, usa aquilo que tem mais próximo, como uma faca, e, agora, uma arma”, salienta.
Como uma das formas de mudar esse panorama, Winy aponta a necessidade de criar políticas públicas que têm o objetivo de proteger as mulheres e transformar a educação desde a base. 
"Quando a gente entende que essa cultura não é algo, mas que vem de gerações, podemos começar a mudar. Precisamos repensar na maneira que estamos criando as nossas crianças, que amanhã vão ter que lidar com questões como essas. Além disso, é preciso cada vez mais participar dos espaços de decisão e propor polícias públicas que não apenas protejam as mulheres, mas que proporcionem uma sociedade segura para o desenvolvimento", salienta.

Correção

26/02/2021 - 10:56
No parágrafo sobre as estatísticas de mulheres assassinadas estava faltando a palavra feminicídio, que foi acrescentada ao texto. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Torcida capixaba no Centro de Vitória, no terceiro jogo do Brasil
Com festa no Centro de Vitória, torcida celebra classificação do Brasil
Imagem de destaque
Homem é preso após tentar assaltar e agredir mulher em Vila Velha
Imagem de destaque
'Pensei que o prédio ia cair em cima de mim': forte terremoto sacode a Venezuela e derruba edifícios em Caracas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados