A gordura no fígado, também conhecida como esteatose hepática, é uma condição cada vez mais comum entre os brasileiros e que merece atenção por, na maioria dos casos, não apresentar sintomas. O problema ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado, podendo provocar inflamação e comprometer o funcionamento do órgão.
Segundo a gastroenterologista Carolina Casotti, da Rede Meridional, o grande desafio é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. "Na maioria das vezes, a gordura no fígado não causa sintomas e acaba sendo descoberta em exames de rotina. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico periódico, principalmente entre pessoas que apresentam fatores de risco", explica.
Embora a maioria dos pacientes permaneça sem sintomas, algumas pessoas podem sentir desconforto ou sensação de peso no lado direito do abdômen. Já nas fases mais avançadas, podem surgir sinais como pele e olhos amarelados, aumento do abdômen por acúmulo de líquidos, manchas roxas na pele, sangramentos e sonolência, indicando comprometimento da função hepática.
Quando não é tratada, a doença pode evoluir para quadros mais graves. "O acúmulo de gordura pode levar à inflamação do fígado e, em alguns casos, evoluir para cirrose, uma condição com complicações importantes. Além disso, a gordura no fígado está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)", alerta a médica da Rede Meridional.
O tratamento é baseado principalmente na mudança do estilo de vida. A perda de peso, quando necessária, a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, o controle do diabetes e do colesterol, além da redução ou eliminação do consumo de bebidas alcoólicas, são medidas fundamentais para controlar a doença.
"Em alguns casos, o tratamento medicamentoso também pode ser indicado. Por isso, a avaliação médica é indispensável para identificar o estágio da doença, tratar os fatores de risco e definir a melhor estratégia para cada paciente", reforça Carolina.
A especialista destaca que a prevenção continua sendo a melhor forma de evitar complicações. Adotar hábitos saudáveis e realizar exames de rotina são atitudes que contribuem para o diagnóstico precoce e aumentam as chances de impedir a progressão da doença