A preservação da força muscular é importante em todas as fases da vida, mas ganha ainda mais relevância na terceira idade. Com o envelhecimento, ocorre uma perda natural de massa e força muscular, processo que pode comprometer o equilíbrio, a mobilidade e a capacidade de realizar atividades do dia a dia.
Um amplo estudo publicado, em fevereiro deste ano, no periódico científico JAMA (Journal of the American Medical Association), chamado “ Muscular Strength and Mortality in Women Aged 63 to 99 Years ”, revelou que ter mais força muscular diminui significativamente a mortalidade por todas as causas em mulheres.
O estudo acompanhou mais de 5 mil idosas, entre 63 e 99 anos, por cerca de oito anos e demonstrou que aquelas com melhor desempenho em testes de força de preensão manual e menor tempo de levantamento da cadeira apresentaram um risco de morte até 33% menor.
Garantindo um envelhecimento mais saudável
Em 2025, a população com 60 anos ou mais no Brasil atingiu a marca de 33 milhões de pessoas, representando cerca de 16,6% do total de habitantes do país, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, há a necessidade de novas estratégias voltadas para o envelhecimento saudável .
“O envelhecimento populacional nos obriga a focar a qualidade dos anos que queremos viver daqui para a frente. A capacidade de nos mantermos ativos está diretamente ligada à saúde cardiovascular, e a preservação da força muscular é uma das principais ferramentas para manter a autonomia, a independência e a qualidade de vida na velhice”, comenta o Dr. Breno Giestal, cardiologista do Alta Diagnósticos, da Dasa no Rio de Janeiro.
Músculos protetores da saúde
A pesquisa publicada no periódico científico JAMA acompanhou de perto uma amostra diversa de 5.472 mulheres com média de 78 anos. Para garantir a precisão dos dados, todas usaram um acelerômetro – aparelho que mede o movimento corporal – por sete dias seguidos, o que permitiu registrar exatamente quanto tempo passavam sentadas e quanta atividade física praticavam.
O resultado surpreendeu: o efeito protetor da força muscular na longevidade foi evidente, mesmo quando os cientistas isolaram fatores que poderiam mascarar o resultado, como o nível diário de sedentarismo, a velocidade da caminhada e até os índices de inflamação no organismo.
Segundo o Dr. Breno Giestal, a massa e a função muscular são importantes marcadores da saúde geral e da proteção cardiovascular. “A força muscular é atualmente reconhecida como um importante indicador de saúde e longevidade. Pessoas que a preservam ao longo dos anos costumam apresentar melhor capacidade funcional, maior independência e menor risco de desenvolver complicações associadas ao envelhecimento”, afirma.
Dessa forma, conforme o médico, a força muscular não deve ser encarada apenas como um fator ligado à mobilidade, mas como um reflexo do bom funcionamento do organismo. “Quando ocorre uma perda acelerada de massa e força, observamos um aumento da fragilidade e do risco de doenças, hospitalizações e perda da autonomia”, alerta.
Mais músculos, mais qualidade de vida
Na prática, o Dr. Breno Giestal afirma que os músculos funcionam como um verdadeiro órgão endócrino e metabólico. “Quando realizamos atividades físicas, especialmente exercícios de fortalecimento muscular, o organismo libera substâncias que ajudam a regular o metabolismo, melhorar o controle da glicose e reduzir processos inflamatórios relacionados com o envelhecimento e as doenças cardiovasculares. Esses mecanismos ajudam a explicar por que pessoas com melhor condição física costumam apresentar mais saúde, maior independência e menor risco de mortalidade ao longo da vida”, ressalta.
Massa e força muscular
Do ponto de vista do diagnóstico e do monitoramento da composição corporal, a perda de massa e da qualidade muscular está muito ligada à fragilidade esquelética. A Dra. Laura Mendonça, reumatologista e desintometrista óssea da Clínica CDPI, também da Dasa, explica que a perda mineral óssea e a sarcopenia, que é a perda de massa e força muscular, formam uma via de mão dupla perigosa na terceira idade .
A especialista ressalta que ossos fortes dependem do estímulo mecânico promovido por músculos fortes. Segundo ela, o estudo valida a importância de avaliar as idosas além do padrão da composição mineral óssea, pois a independência funcional e a prevenção de quedas e fraturas graves estão ancoradas também na resistência muscular.
“Ferramentas como a densitometria óssea avançada hoje permitem analisar, além da osteoporose, a composição corporal completa (massa muscular, gordura subcutânea e visceral), auxiliando os médicos numa conduta preventiva e terapêutica, com a recomendação de atividades físicas resistidas e aeróbicas”, finaliza.
Por Rachel Lopes