A Seleção Brasileira perdeu por 2 a 1 para a Noruega e deu adeus ao sonho do hexacampeonato na Copa do Mundo de 2026. O grande destaque da partida foi Erling Haaland, que marcou os dois gols noruegueses.
Além da atuação em campo, a rotina alimentar do atacante norueguês também tem chamado atenção pela disciplina com que encara a alimentação, o sono e a recuperação como parte do treinamento. Embora sua dieta seja personalizada para atender às exigências do esporte de alto rendimento, ela reúne princípios amplamente reconhecidos pela nutrição esportiva.
Sua alimentação prioriza alimentos in natura e minimamente processados, como carnes, peixes, ovos, frutas e laticínios. Há relatos de que também consome vísceras, como fígado e coração bovino, alimentos ricos em ferro, vitamina B12, vitamina A e outros micronutrientes importantes para a produção de energia, a formação das células sanguíneas e a recuperação muscular. Ele mantém um consumo diário de cerca de 6.000 calorias para suportar a intensa rotina de treinos e jogos, segundo reportagem da revista americana The New Yorker. A quantidade é muito superior à recomendada para a maioria da população —segundo a European Food Safety Authority, a média para homens adultos varia entre cerca de 2.000 a 3.000 kcal/dia.
Além da alimentação, Haaland dá atenção especial à hidratação, ao sono, à exposição à luz natural pela manhã e aos períodos de recuperação entre os treinos. Esses hábitos reforçam um conceito cada vez mais consolidado na Medicina do Estilo de Vida: a alta performance não é resultado apenas do treinamento, mas da integração entre alimentação, atividade física, sono de qualidade, recuperação e outros hábitos saudáveis.
Qualquer pessoa pode fazer a dieta?
A endocrinologista e médica esportiva, Gisele Lorenzoni, diz que é preciso cautela antes de transformar a dieta de um atleta de alto rendimento em referência para a população. "O primeiro ponto é entender que estamos falando de um atleta profissional, com gasto energético extremamente elevado, rotina intensa de treinamentos e acompanhamento permanente de nutricionistas, médicos, preparadores físicos e outros profissionais. O que funciona para ele dificilmente será adequado para uma pessoa comum", pondera.
A médica explica que o elevado consumo calórico é uma necessidade para manter a performance, favorecer a recuperação muscular e evitar perda de massa magra durante períodos de treinamento intenso. "Enquanto um atleta pode necessitar de milhares de calorias por dia para sustentar sua rotina, uma pessoa sedentária ou que pratica atividade física de forma recreativa pode desenvolver ganho de peso, aumento da gordura corporal e alterações metabólicas caso tente reproduzir esse padrão alimentar”.
Entre os alimentos que mais chamaram atenção estão o fígado e o coração bovino, considerados alimentos de alta densidade nutricional. Segundo a endocrinologista, eles realmente oferecem nutrientes importantes.
"O fígado é extremamente rico em ferro, vitamina A, vitamina B12 e outros micronutrientes. Já o coração bovino fornece proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B e minerais importantes. São alimentos nutritivos, mas isso não significa que devam ser consumidos em excesso", explica Gisele.
O consumo frequente de fígado merece atenção por causa da elevada concentração de vitamina A. "O excesso dessa vitamina pode provocar toxicidade ao organismo quando ingerido continuamente em grandes quantidades. Por isso, o ideal é que o consumo seja moderado e faça parte de uma alimentação equilibrada".
Leite cru pode representar risco à saúde?
Outro hábito que gera preocupação é o consumo de leite cru, sem pasteurização. "A pasteurização existe justamente para eliminar microrganismos potencialmente perigosos. Consumir leite cru aumenta o risco de infecções causadas por bactérias como Salmonella, Listeria, Escherichia coli e Brucella. Não há evidências científicas que justifiquem esse risco em busca de supostos benefícios nutricionais", afirma a endocrinologista.
Para Gisele, as perdas nutricionais provocadas pela pasteurização são mínimas quando comparadas ao ganho em segurança alimentar.
Embora alguns alimentos do cardápio de Haaland sejam bastante nutritivos, a endocrinologista lembra que os resultados do atleta não dependem de um ingrediente específico.
A médica acrescenta que o próprio jogador também chama atenção por hábitos como priorizar o sono, controlar a exposição à luz antes de dormir e manter uma rotina bastante disciplinada. Esses fatores também exercem influência importante sobre a recuperação física e o desempenho esportivo.
"A melhor dieta sempre será aquela construída de forma individualizada, considerando exames laboratoriais, composição corporal, doenças pré-existentes, nível de atividade física e objetivos pessoais. Copiar a rotina alimentar de um atleta de elite pode trazer muito mais prejuízos do que benefícios", finaliza.