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Doença crônica

Diabetes: os sinais silenciosos que o corpo dá e você pode estar ignorando

Quando não controlado adequadamente, o diabetes aumenta o risco de complicações cardiovasculares, insuficiência renal, perda da visão, amputações e alterações neurológicas

Publicado em 26 de Junho de 2026 às 14:42

Guilherme Sillva

Publicado em 

26 jun 2026 às 14:42
Diabetes
O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue utilizar adequadamente a insulina shutterstock

O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela dificuldade do organismo em produzir ou utilizar corretamente a insulina, hormônio responsável pelo controle dos níveis de glicose no sangue.


Atualmente, cerca de 16,6 milhões de brasileiros adultos convivem com a doença, segundo o Atlas Global do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF). O Brasil ocupa a sexta posição entre os países com maior número absoluto de pessoas diagnosticadas. Quando não controlado adequadamente, o diabetes aumenta o risco de complicações cardiovasculares, insuficiência renal, perda da visão, amputações e alterações neurológicas.


O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue utilizar adequadamente a insulina – hormônio produzido pelo pâncreas responsável pela manutenção do metabolismo da glicose.


A falta de insulina provoca uma deficiência na metabolização da glicose e, consequentemente, diabetes. A doença é caracterizada por altas taxas de açúcar no sangue (hiperglicemia) de forma permanente.


"Os principais sintomas do diabetes são: fome, sede excessiva, aumento da frequência de urinar, de dia e de noite, e perda de peso não intencional. Também pode ocorrer fraqueza, fadiga, náuseas e vômitos, formigamentos nos pés e pernas, infecções frequentes, feridas que demoram para cicatrizar e visão embaçada. Na maioria das vezes, não há nenhum sintoma”, enfatiza a endocrinologista Cristiane Savian. 


O diabetes tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico ataca as células responsáveis pela produção de insulina. É mais frequente em crianças e jovens adultos, o que exige a reposição contínua da substância.


Já o diabetes tipo 2 representa cerca de 90% dos casos e está relacionado principalmente à resistência à ação da insulina. Entre os fatores de risco estão o excesso de peso, obesidade, sedentarismo, histórico familiar e envelhecimento. Um dos maiores desafios é que muitos pacientes convivem com a doença sem o diagnóstico, o que favorece o surgimento de complicações.


O diagnóstico do diabetes é simples e feito por meio de exames de sangue laboratoriais que avaliam a quantidade de glicose (açúcar) na circulação.

Os tipos

A doença pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos:


Pré-diabetes

É quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar Diabetes. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em pessoas com sobrepeso e obesidade, hipertensos ou pessoas com síndrome metabólica. Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o infarto.


Tipo 1 

É não transmissível, relacionada com a produção autoanticorpos, pode ser hereditária, que concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos no Brasil. O diabetes tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Pessoas com parentes em primeiro grau, que têm ou tiveram a doença, devem fazer exames regularmente para acompanhar a glicose no sangue. O tratamento exige o uso diário de insulina, alimentação adequada e atividade física regular para controlar a glicose no sangue.


Tipo 2

O diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. Está diretamente relacionado ao sobrepeso/obesidade, sedentarismo, triglicerídeos elevados, colesterol alto, hipertensão e hábitos alimentares inadequados, além de uma história familiar positiva. Cerca de 90% dos pacientes com diabetes no Brasil têm esse tipo. O risco para desenvolver a diabetes tipo 2 pode ser reduzido com práticas de vida saudáveis: alimentação, atividades físicas e evitando álcool, tabaco e outras drogas.


Diabetes Autoimune Latente do Adulto (LADA)

Ocorre em adultos jovens, geralmente sem sobrepeso ou obesidade, devido um processo autoimune do organismo, semelhante ao Diabetes tipo 1. Costuma-se usar medicações via oral, mas logo é necessário progredir para insulinoterapia.


Diabetes Gestacional (DG)

Ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser caracterizada como diabetes tipo 2. O DG tem aumentado com o crescimento da obesidade. Toda gestante deve fazer o exame de diabetes, regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto, além de apresentarem risco elevado para desenvolverem diabetes tipo 2 no futuro. 

Sinais de alerta

A nutricionista Claudinea Santos Almeida, do Santa Marcelina Saúde, diz que a a terapia nutricional é um dos pilares fundamentais tanto para a prevenção quanto para o controle do diabetes tipo 2. "A qualidade da alimentação tem impacto direto nos níveis de glicose. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem trazer benefícios significativos para o controle da doença e para a saúde como um todo", afirma.


A endocrinologista Iara do Vale, da Unimed Sul Capixaba, destaca que o diabetes exige um olhar amplo sobre a saúde e que pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Segundo a especialista, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal e realizar exames periódicos são atitudes que reduzem significativamente o risco de desenvolver a doença e contribuem para evitar complicações futuras. 


"Muitas pessoas só descobrem que têm diabetes quando já apresentam alguma complicação. Por isso, a realização de consultas e exames preventivos é tão importante, especialmente para quem possui fatores de risco", afirma.


De acordo com a especialista, outro ponto de atenção é o reconhecimento dos sinais de alerta. “Sede excessiva, aumento da frequência urinária, perda de peso sem causa aparente, fome constante, visão embaçada, cansaço e infecções recorrentes podem indicar alterações nos níveis de glicose e devem motivar a busca por avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de evitar complicações e preservar a qualidade de vida".


O tratamento do diabetes depende diretamente do tipo da doença, mas o objetivo final é sempre o mesmo: manter os níveis de glicose (açúcar) no sangue controlados para evitar complicações a longo prazo e garantir qualidade de vida.

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