Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Se Cuida
  • Caso Ganley: médicos alertam sobre uso de insulina para ganho de massa muscular
Entenda

Caso Ganley: médicos alertam sobre uso de insulina para ganho de massa muscular

Hormônio utilizado no tratamento do diabetes exige controle rigoroso e pode provocar hipoglicemia severa, convulsões e até morte quando usado sem acompanhamento médico

Publicado em 25 de Maio de 2026 às 11:53

Guilherme Sillva

Publicado em 

25 mai 2026 às 11:53
Influenciador Gabriel Ganley
Influenciador Gabriel Ganley morreu no último sábado Reprodução @ganleygabriel/ @braguinhas
A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, no sábado (23), voltou a provocar discussões sobre o uso de substâncias no esporte. Até o momento, a causa da morte do atleta não foi oficialmente divulgada.

Segundo alguns veículos, como a coluna Músculo da Folha de S. Paulo, e o portal Leo Dias, uma das suspeitas mais fortes seria a hipoglicemia provocada pelo uso inadequado de insulina para ganho de massa muscular. Mas não há informações oficiais ou laudo divulgado que confirmem a causa mortis.

Em um video publicado há três meses em uma das suas redes sociais, Ganley aparece mostrando ao público a sua rotina. Em um dos trechos, ele apresenta medicamentos que consumia diariamente, entre eles, um para "sensibilidade à insulina" e outro relacionado a "açúcar no sangue".

Produzida pelo pâncreas, a insulina tem como principal função controlar os níveis de açúcar no sangue. Segundo a endocrinologista Gisele Dazzi, da Rede Meridional, ela atua levando a glicose para dentro das células, permitindo que o organismo utilize essa substância como fonte de energia.

“A insulina é um hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Quando nos alimentamos, a glicose aumenta na corrente sanguínea e a insulina é liberada para transportar esse açúcar para dentro das células do corpo”, explica.

Por ter ação anabólica, a insulina passou a ser utilizada por algumas pessoas como estratégia para ganho de massa muscular. No entanto, a médica reforça que o método é considerado agressivo e exige extremo cuidado.

“Ela pode ser utilizada em alguns casos para ganho de massa, mas é um método muito perigoso. Existem outras formas mais seguras de alcançar esse objetivo, com menos riscos de complicações”, destaca a endocrinologista da Rede Meridional.

O principal perigo está na hipoglicemia severa, quadro caracterizado pela queda brusca dos níveis de glicose no sangue. A endocrinologista explica que o excesso de insulina pode fazer com que a glicose diminua rapidamente, especialmente em pessoas que não têm diabetes.

“A hipoglicemia severa acontece quando os níveis de açúcar no sangue caem muito rápido e atingem valores muito baixos. A pessoa pode passar mal, sofrer quedas, bater a cabeça, apresentar crises convulsivas e, em casos extremos, ir a óbito se não houver atendimento emergencial”, alerta Gisele.

Segundo a especialista, o risco aumenta porque o uso da insulina exige um controle extremamente preciso entre dose aplicada, alimentação e gasto energético. Por isso, o hormônio nunca deve ser utilizado sem orientação profissional.

Danos cerebrais 

O endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que a insulina não é um 'atalho' seguro para ganhar massa muscular. 

"Em pessoas saudáveis, o uso de insulina não demonstrou aumentar significativamente o crescimento muscular. Além disso, o peso ganho com o uso inadequado de insulina pode incluir aumento de gordura corporal, não apenas músculo. E o problema é que ela pode causar efeitos colaterais gravíssimos e risco a vida". 

O uso inadequado da insulina pode causar uma queda grave da glicose no sangue, levando a desmaios, convulsões, coma e até morte. "O principal risco é diminuir a glicose a concentrações críticas, incapacitantes. Isso pode causar tremores, suor frio, confusão mental, desmaios, convulsões, coma e até morte".

Além disso, episódios graves de hipoglicemia podem provocar danos cerebrais permanentes. "A insulina também pode alterar sais minerais importantes do organismo, aumentando o risco de arritmias cardíacas", diz o médico. Outro problema é que o excesso crônico de insulina no corpo pode favorecer ganho de gordura e aumentar riscos metabólicos e cardiovasculares ao longo do tempo.

Ramon conta que o grande perigo da insulina usada sem indicação médica é que o corpo não consegue “desligar” a insulina depois que ela é aplicada. Em uma pessoa saudável, o pâncreas ajusta a quantidade de insulina a cada segundo, dependendo das concentrações de glicose no sangue, da alimentação e do gasto de energia. 

"Já a insulina injetada continua agindo mesmo que a glicose caia para concentrações perigosamente baixas. Além disso, a absorção da insulina não é completamente previsível. A mesma dose pode agir de formas diferentes dependendo do local da aplicação, do exercício físico, da alimentação, da temperatura e até do horário do dia".

O médico ressalta que a insulina deve ser usada somente com acompanhamento médico. "Ela é uma medicação potente, de alto risco, e deveria ser dispensada apenas com receita médica". 

Veja Também 

Gabriel Ganley

Entenda o que é hipoglicemia, que pode ter matado Gabriel Ganley

Mãe de Gabriel Ganley diz que morte foi 'fatalidade' e informa que velório será fechado

Mãe de Gabriel Ganley diz que morte foi 'fatalidade' e informa que velório será fechado

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Motociclista de 51 anos morreu após cair da moto que pilotava na BR 101, em Linhares
Motociclista morre após cair de moto em acidente na BR 101 em Linhares
Imagem de destaque
9 receitas ricas em proteínas magras para o jantar
Imagem de destaque
De pereveca a cachaça de jaca, conheça sabores curiosos da Feira dos Municípios

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados