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Entenda

Caso Alex Escobar: sintomas de pico de pressão podem parecer AVC

Os picos de pressão são elevações repentinas da pressão arterial, que podem ocorrer por minutos ou horas

Publicado em 23 de Junho de 2026 às 16:21

Guilherme Sillva

Publicado em 

23 jun 2026 às 16:21
Alex Escobar
Alex Escobar usou as redes sociais para tranquilizar o público sobre seu estado de saúde Reprodução @alexescobar

O jornalista Alex Escobar teve um pico de pressão ao vivo durante programa na TV Globo. Minutos depois de se sentir mal, ele foi para um hospital da região, onde fez uma série de exames. O apresentador está bem e passou a noite no hospital em observação.


Após os exames, Escobar usou as redes sociais para tranquilizar o público sobre seu estado de saúde. "Estou bem, sem sintomas de nada. Sei que aparecer falando com aquela boca mole assusta, mas estou bem. Tive dificuldade para falar, negócio muito doido", afirmou.


Ele disse que, apesar da cena marcante, já voltou a falar bem e já planeja retornar à rotina."O vídeo dá uma impressionada mesmo, mas acreditem , me sinto pronto desde aquele momento pra assistir a um jogo do América, fazer um Cafezinho, cantar um samba. Estou bem e falando direito", completou.


O apresentador contou que a principal manifestação do mal-estar foi a dificuldade para pronunciar palavras durante a transmissão ao vivo. Embora a cena tenha chamado a atenção do público, ele afirmou que permaneceu consciente o tempo todo. "Tive dificuldade para falar, negócio muito doido, mas não tive confusão mental, tontura, nada além de não conseguir pronunciar bem as palavras", relatou.

Entenda a diferença entre as condições

O episódio levantou dúvidas sobre as diferenças entre um pico de pressão arterial e um Acidente Vascular Cerebral (AVC), já que os sintomas podem ser muito semelhantes.


Os picos de pressão são elevações repentinas da pressão arterial, que podem ocorrer por minutos ou horas. O cardiologista Tiago Coelho diz quenem sempre significam que a pessoa tem hipertensão arterial sistêmica, mas merecem atenção, principalmente quando são frequentes ou muito elevados.


"Na maioria das vezes não há sintomas. Geralmente o contrário ocorre, quando o paciente está ansioso ou com algum tipo de dor, seja dor de cabeça ou outro desconforto, a pressão pode aumentar. Mas a pressão alta geralmente é silenciosa e esse é o perigo", diz.


O médico explica que a voz trêmula não é causada diretamente pela pressão alta, mas pela ativação do sistema nervoso em situações de estresse, ansiedade ou descarga de adrenalina, que frequentemente podem acompanhar os picos de pressão. "Não é a pressão que deixa a voz trêmula, mas a situação emocional do momento", diz Tiago Coelho.


O pico de pressão pode ser perigoso. "Quando a pressão sobe muito, aumenta o risco de lesão em órgãos importantes, como o cérebro, o coração, os rins e os olhos. O risco é maior quando os valores são muito elevados, maior ou igual a 180/110 mmhg (famoso 18/11 mmhg), configurando uma urgência ou emergência hipertensiva".


A médica Carla Frechiani, da Bluzz Saúde, diz que os sintomas de pico de pressão e AVC podem ser confundidos. "Um pico hipertensivo pode causar sintomas como cefaleia, tontura, náuseas, ansiedade e mal-estar geral, que podem inicialmente levantar a suspeita de AVC. Além disso, a pressão arterial costuma estar elevada em muitos pacientes com AVC agudo. Entretanto, a presença de déficits neurológicos focais de início súbito é o principal elemento que diferencia o AVC de um pico hipertensivo isolado".


A médica conta que frequentemente é possível diferenciar um pico de pressão de um AVC. "No pico hipertensivo isolado, os sintomas costumam surgir de forma gradual, são inespecíficos e não há déficit neurológico focal ao exame". 

Já no AVC, os sintomas geralmente têm início súbito (segundos a minutos) e incluem sinais neurológicos localizados, como fraqueza ou dormência em um lado do corpo, alteração da fala, perda visual súbita, alteração da coordenação ou equilíbrio e rebaixamento do nível de consciência.

Somente uma investigação adequada pode confirmar o diagnóstico. "Embora a história clínica e o exame neurológico sejam fundamentais, a confirmação diagnóstica depende de avaliação médica e exames complementares", finaliza a médica.

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